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sábado, 12 de abril de 2014

O Propósito dos Dons Espirituais

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Os dons espirituais possuem propósito, embora não seja apenas um. O primário objetivo dos dons é a glorificação de Cristo por meio da edificação do Corpo- a Igreja do Nosso Senhor. A palavra chave é o verbo edificar e o substantivo edificação. E isso é evidente a partir da leitura de 1 Coríntios 14, onde o verbo grego ocorre três vezes (cf. 14.4,17) e o substantivo quatro vezes (cf. 14.3,5,12, 26). O principal poder dos dons está no fortalecimento, amadurecimento e edificação da Igreja. Assim, os dons tornam a Igreja “mais capaz” de cumprir a missão como agente do Reino de Deus nesta terra (cf. At 9.31). Logo, se os dons cessaram a igreja contemporânea não precisa de edificação? Se os dons não cessaram e sabemos desse objetivo construtor, logo por que desprezamos os dons com medo da espiritualidade líquida e exótica de muitos carismáticos?

Sempre reclamamos da apatia que cobre a igreja moderna, mas ao mesmo tempo estamos esquecendo a ferramenta da graça dada por Deus para a edificação da mesma. Ela está disponível para nós hoje. Infelizmente, poucos estão orando a Deus pedindo dons. O apóstolo Paulo, mesmo diante de uma assembleia cheia de dons, continuava a exortar que eles buscassem mais dons (cf. 1 Co 14.12). O problema dos coríntios não era a abundância de dons, mas o conformismo em usar alguns dons, especialmente o falar em línguas, com o mesquinhez e egoísmo. Repito: o problema não era a posse dos dons, mas o propósito por trás do uso. Não podemos rejeitar os dons porque eles são manifestações do próprio Deus entre o seu povo. “Os dons espirituais são revelações concentradas da atividade divina, e apenas secundariamente da atividade humana. Os dons espirituais são a presença do próprio Espírito se expressando de maneira relativamente clara, e até dramática, na forma como exercemos o ministérios. Os dons são a manifestação pública de Deus entre o seu povo”, como escreveu Sam Storms [1]. Não é uma relação deística, ou seja, Ele lá no céu derramando graça para homens solitários na terra. Não, Ele se faz literalmente presente entre o seu povo por meio dessa graça. Assim, o mal uso dos dons não pode levar a igreja contemporânea ao terrível erro de rejeitar essas bênçãos do Senhor.

Só solidez doutrinária não basta. Muitas vezes, nós que lidados com o ensino, pensamos que uma igreja formada por doutos senhores e senhoras na ciência teológica seria a solução perfeita para todos os nossos problemas eclesiásticos. Tal pensamento é de uma infantilidade que faz do entusiasta da educação teológica um ignorante igual aos piores militantes do anti-intelectualismo. A formação doutrinária, como uma ponta solta, nunca será suficiente para manter uma comunidade viva, embora seja importantíssima! A igreja de Éfeso é um exemplo, pois a fortaleza doutrinária daquela comunidade não foi suficiente para deter a falta do primeiro amor (cf. Ap 3.4). Na epístola aos efésios o apóstolo Paulo não os repreende por erros doutrinários e, escrevendo igualmente uma carta, o apóstolo João elogia o esforço apologético dela, mas houve o abandono do primeiro amor.  O entusiasmo, a paixão e a celebração do início foi embora para longe, literalmente jogada fora, e agora, o que resta, é apenas o vazio de uma ortodoxia inflamada pelo embate. Hoje, assim como no passado, na severidade do zelo doutrinário muitos perderam a paixão por buscar a Deus e os seus dons. “Se estar certo tornar-se mais importante para nós do que adorar a Deus, então nossa teologia já não diz mais respeito a Deus. Diz respeito a nós”, escreveram Joshua Harris e Eric Stanford [2]. Nada é bom em excesso, nem o zelo pela verdade.

Agora, há o outro lado da moeda. Inúmeros usam o dom como promoção pessoal, sinal de santidade e até mesmo como expressão de curandeirismo. Como acima visto, o propósito bem usado dos dons acaba com esses pecados. Veja esse quadro.

O propósito dos dons
Como devem ser vistos

O que combatem
Edificação da Igreja (coletividade)
Combatem o egoísmo, a megalomania, a elitização da igreja e de seus membros e a visão de “eu sou ungido e você não é”.
Edificação da sociedade (Expressão profética)
Combatem o enclausuramento da Igreja
Edificação pessoal
Combatem a apatia espiritual

Portanto, o dom não tem como propósito a promoção do portador desse dom, nem como santo e nem como milagreiro. A edificação mútua inibe muitos abusos, logo porque o melhor regulador dos dons espirituais é o amor. Não é à toa que o poema do amor em 1 Coríntios 13 está entre o capítulo 12 e 14. Os temas são completamente relacionados. Portanto, se alguém abusa do dom “porque se sente bem”, esse esqueceu do mandamento para edificação mútua. Falar em línguas, por exemplo, é muito bom para edificação pessoal, mas falar o tempo todo no microfone ajudará alguém? Pense nisso, o culto não é seu ou para você. O culto é da igreja, para edificação dessa comunidade, e para a glória dEle.

Referências Bibliográficas:

[1] STORMS, Sam. Dons Espirituais: uma introdução bíblica, teológica e pastoral. 1 ed. Rio de Janeiro: Anno Domini, 2014. p 15.

[2] HARRIS, Joshua e STANFORD, Eric. Ortodoxia Humilde. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2013. p 45.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Gutierres tdb ?
Eu comprei a revista...
Ele também defende os dons somente para quem foi batizado com o Espirito Santo com a evidência de falar em outras linguas.
E na parte dos dons ministeriais ele diz que existem os apóstolos de Jesus e os apóstolos que Deus dá a sua Igreja noa dias de hoje.
.
T+++
Matheus.

Gutierres Siqueira disse...

Olá Matheus, a paz. Veja o post:

http://www.teologiapentecostal.com/2014/04/o-batismo-no-espirito-santo-e-condicao.html