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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Qual o principal problema da Teologia da Missão Integral?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A práxis. Isso mesmo. A Teologia da Missão Integral desenvolvida na América Latina é o um discurso longe da prática. É a teologia cuja assistência e visão vem de fora; é alheio. É a pobreza vista com olhar caridoso de cima para baixo. Eis o ponto que quero destacar: na Teologia da Missão Integral não há vivência real com os pobres. 

Não estou escrevendo que expoentes dessa teologia não façam trabalhos sociais, pois a questão não é exatamente essa. Mas é necessário entender que uma teologia dos pobres resumida ao assistencialismo é superficial. Uma teologia que realmente convivesse com os pobres entenderia a cosmovisão da periferia e não o que as ideologias e doutrinas sociais interpretam sobre o subúrbio. Assim, a TMI peca justamente por não conviver com os pobres. Ela vai aos pobres apenas com olhos de hermeneutas afetados pelas ciências sociais.

Ora, viver entre os pobres não é trazer o olhar terceirizado da sociologia ideologizada. É realmente entender os anseios espirituais e materiais do desvalido. É mergulhar na visão de mundo da periferia. Não é aparecer na favela na campanha do agasalho, mas conviver intensamente com o favelado que pode ser, talvez, o faxineiro do prédio da faculdade. 

Talvez falte ao teólogo da Missão Integral uma boa conversa com o porteiro do prédio onde ele mora. Ou talvez com sua empregada. Ou quem sabe um bom bate-papo numa padaria do Largo Treze ou Itaim Paulista. Não, por favor, não ajudará em nada a entender o mais carente numa conversa com seu amigo de mestrado no Starbucks mais próximo. Não é uma ironia. O teólogo da Missão Integral conversa muito com os intérpretes da pobreza e esquecem de perguntar a opinião da "tia" da faxina. 

Com uma conversa dessas o teólogo da Missão Integral aprenderá muito sobre o pobre. Verá que o pobre valoriza a meritocracia, é empreendedor, não tolera a preguiça, detesta a impunidade, não olha o consumo como demoníaco, mas apenas como o primeiro estágio da ascensão social. E verá, também, que ao contrário dos ideólogos, o pobre não glamoriza a pobreza. Ele não quer o filho como rapper ou pagodeiro, mas como médico ou engenheiro. O pobre sonha com o fim da pobreza. Além disso, o morador da periferia não enxerga arte na arquitetura das casas sem reboco e, também, sonha com um bairro igual ou melhor do que os ambientes mais nobres da cidade. 

Qual o sonho do pobre? Deixar de ser pobre. Simples assim. Entretanto, há muitos teólogos da Missão Integral que olham o pobre como um objeto antropológico que deve ser inerte aos desejos do capital. Ou seja, uma simples conversa com a empregada- que provavelmente deve ser membro de alguma igreja pentecostal- abalaria muitas convicções desses expoentes. Não sabem de nada, inocentes!

21 comentários:

Jean Correa disse...

Será? Bom, não conheço de perto o trabalho dos maiores divulgadores da TMI, mas sei de alguns que vivem sim em meio aos pobres. Cito três grandes exemplos: Paulo Capelleti, Marcelo Gualberto e Pr. Carlinhos. Convido a dar um Google nesses nomes e ver o quanto esses caras vivem entre os pobres e fazem exatamente o que este texto está acusando de os integrais não fazerem.

Mas é óbvio que a reflexão é importante. Uma teologia não pode ficar no campo das ideias, na degustação mental, sem partir pra prática, sem responder as perguntas que a sociedade faz.

Jean Correa
www.prosadecrente.com

Resenha Gospel disse...

Concordo com a discussão, concordo com o Jean e acrescento o nome do Pr Neil Barreto, cuja igreja fica numa favela do RJ.

abs

Rosimario Junior disse...

Olha, creio que há um sério problema de generalização; seríssimo, aliás!
Tomemos por exemplo o maior expoente da TMI: Ariovaldo Ramos; aqueles que o conhecem, ou ao menos leem e ouvem o que ele prega, sabem muito bem de sua origem humílima e de como ele foi resgatado do limbo eclesiástico (por preconceito social e racial) pelos irmãos do Jovens da Verdade. Ele é o atual presidente da Visão Mundial no Brasil e empenha-se NA PRÁTICA, por justiça social e resgate da dignidade dos excluídos.
Há, também, o exemplar Paulo Capelleti (o Macarrão) que faz um trabalho fantástico em favelas e com travestis e drogados em Santo André.

Sim, há muitos teólogos que ficam só na Teoria e longe da Prática, mas, infelizmente, este é um erro comum em praticamente todas a correntes teológicas. Incluindo nós, pentecostais. Logo, imagino que a crítica seja pertinente aos acadêmicos (ou academicistas?), e não à grande parte que vive, come e dorme junto com aqueles que amam como a si mesmos com o amor de Deus!

Um abraço do irmão pentecostal, bacharel pela FFLCH-USP, filho de doméstica e morador do Itaim Paulista,

Rosimario Junior

Marcos Botelho do JV disse...

Isso que estamos falando da TMI que, mesmo as vezes equivocados, ainda exerga o pobre. Não vamos falar das teologias históricas que nem o pobre enxerga mais!!!

Emanoel Florencio disse...

Penso que a reflexão diz mais respeito às teologias academicistas (qualquer uma) do que à TMI. Ao se fazer isso também corre-se o perigo de desenvolver uma postura anti-intelectualista do evangelho. Ambas as posturas são perigosas. Reflexão teológica e serviço cristão devem andar juntos, sob pena de produzir, de um lado assistencialista fanáticos, e de outro, teóricos da pobreza

Gutierres Siqueira disse...

Alguns, como sempre acontece, não entenderam a questão do texto. E não falo necessariamente dos comentários acima.

Ora, não basta a presença entre mais os pobres, mas é necessário uma vivência real entre eles. Não é necessário morar numa favela para isso, pois o pobre pode ser compreendido a partir dos seus anseios e não sobre o que uma sociologia interpreta sob determinada ideologia. Não é assistindo um filme cult naquela sala vazia de um cinema no centro da cidade sobre o garoto da favela que você o entenderá, mas é, isso sim, na conversa com aquele jovem que faz uma faculdade barata de enfermagem ou pedagogia e trabalha oito horas por dia para sustentá-la e, após isso, pega um trem ou ônibus cujo destino é um bairro tão distante de esquecido e tão esquecido de distante.

Não basta conversar com o pobre, mas é necessário ouvi-lo. Alguns querem ensinar o povo a ser povo. Quem só discorre com o desvalido acha pureza na pobreza, enquanto o pobre olha a sua pobreza como algo a ser superado. É necessário superar essa fase de romantização da pobreza com frases do tipo "Cristo está no rosto dos pobres". Não sei se é piegas ou romantização barata.

Natalia Mendes disse...

Eu já cheguei a respeitar seus textos. Mas nesse está bem claro uma "projecao" psicológica, será que isto não está faltando mais em você do que neles? Com quantos teologos você convive? Quantos são da MI? E a quantos pobres você próprio tem acesso?

Anônimo disse...

Muito Bom dia!!!
Primeiro, gostaria de dizer que embora, o Pr Neil desenvolva um brilhante trabalho, sua Igreja não fica exatamente numa favela, e sim, numa região pobre, como a maioria dos bairros aqui do Rio. Segundo, gostei muito da foto que você usou, pois morei minha vida toda nessa região...me senti representado, rssss. Finalmente, gostei da sua reflexão irmão, acho que é por aí mesmo. Também sei, e você com certeza também sabe, que sempre há exceção, mas que nessa seara da TMI a dinâmica teoria-prática ainda está distante do ideal, quadro parecido com outras temáticas do cotidiano.
Saudações em Cristo.

Anônimo disse...

Muito Bom dia!!!
Primeiro, gostaria de dizer que embora, o Pr Neil desenvolva um brilhante trabalho, sua Igreja não fica exatamente numa favela, e sim, numa região pobre, como a maioria dos bairros aqui do Rio. Segundo, gostei muito da foto que você usou, pois morei minha vida toda nessa região...me senti representado, rssss. Finalmente, gostei da sua reflexão irmão, acho que é por aí mesmo. Também sei, e você com certeza também sabe, que sempre há exceção, mas que nessa seara da TMI a dinâmica teoria-prática ainda está distante do ideal, quadro parecido com outras temáticas do cotidiano.
Saudações em Cristo.

Roberto Soares disse...

Cristo estar no rosto dos pobres não é simplesmente literalmente bíblico?

zebruno disse...

Não entendo o porquê de considerar a TMI como uma teologia do pobre, afinal o pobre tem sua relevância nesta teologia, porque ele faz parte da missão da igreja e não porque A missão se resuma nele. Como pentecostal desde 1997, percebo que teologicamente, nós dicotomizamos o homem e supervalorizamos a salvação da alma e pouco "pensamos", além disso quando o assunto é missão. O pentecostal estar mas favelas ou periferias dos grandes centros urbanos não é uma questão de teologia, mas de consequência social, quiça espiritual, uma vez que o pentecostalismo se desenvolveu na base da pirâmide.
Como já disse Pondé, se não estou enganado, foram os pobres que nos escolheram... Se ideias trazem consequências, penso que o mesmo pode-se dizer com relação a teologia de uma igreja, já que sua praxis é consequência desta e na pentecostal, qual o lugar do pobre? Nós é que não sabemos de nada!

PS: seria interessante você dizer de quais teólogos vc está falando, afinal suas generalizações pecam no quesito que nem todos os defensores de uma teologia são também praticantes dele!

zebruno disse...

Gutierres, criticar aqueles que só falam e nada fazem é importante, no entanto generalizar é um erro e nisso você errou, basta citar pelo um teólogo da TMI que anda na contra-mão do que você disse que já bastava para vc mencioná-lo como exceção. Todavia ao generalizar você, aparentemente tratou a TMI apenas como discurso de uma "esquerda caviar"!
Outra ponto a destacar é porque tratar a TMI como uma teologia do pobre, uma vez que o rico tem seu lugar nela assim como a classe média ou mesmo o branco ou o negro e assim por diante?
Me pergunto qual tem sido o seu olhar sobre a TMI? A partir de quais referencias você tem pensando sobre ela?

Irineu Siqueira Neto disse...

Abordei esse tema de forma diferente no meu blog:

http://oseias46a.blogspot.com.br/2014/05/ariovaldo-ramos-profeta-da-tmi-anuncia_24.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+Osias46a+(Os%C3%A9ias+4:6a)

Fernando Costa disse...

Gutierres, de boa, d~e o nome dos Teólogos daMI que não praticam o que falam. Pois generalizar não ataca o problema e nem apresenta a solução. Aguardo!
Fernando

Fernando Costa disse...

Gutierres, de boa, d~e o nome dos Teólogos daMI que não praticam o que falam. Pois generalizar não ataca o problema e nem apresenta a solução. Aguardo!
Fernando

Anônimo disse...

Bom dia! A paz do Senhor!
É irmão Gutierres creio que você mexeu num vespeiro .....
Concordo contigo que o problema da TMI é prático mesmo. Um pastor ter opiniões políticas é lícito, mais creio que alinhar sua teologia à ideologias políticas não é sábio. Isso acaba deixando a igreja de "rabo preso" com partidos políticos. Não precisamos dar atenção à pobres ou ricos, precisamos ir e pregar o Evangelho, fazer discípulos e ensiná-los a guardar tudo que o Senhor ordenou. Nisto já está embutido tudo, inclusive o compartilhar com o mais necessitado, e só pra não esquecermos o mais importante é SIM a salvação pessoal.
Marco Davi

Aprendiz disse...

É interessante esta questão, e creio que seu texto foi mal compreendido. O pessoal TMI pode até conversar com os pobres, mas certamente não ouvem seus anseios. O "futuro glorioso" que eles almejam para os pobres nada tem a ver com o que os pobres almejam para si mesmos. Nenhum pobre que ou já tenha conhecido tem desejo de morar em Cuba ou na Coreia do Norte. Pelo contrário, milhões de pobres nesses países desejam fugir de lá, e muitas vezes o tentam com risco de suas próprias vidas. Multidões de cubanos (a imensa maioria muito pobre) fugiu de Cuba, 100.000 morreram afogados ou comidos por tubarões no mar, tentando fugir.

Aparentemente, os partidários da TMI, se ouvem os pobres, nunca chegaram a entender seus anseios. Tudo o que propõem é um sistema economicamente falido e muita, muita repressão e ditadura.

Ivan Regis disse...

Sou da Assembleia de Deus de Goiânia...

Parabéns pelo texto Gutierres!

Muitos cristãos ingênuos não perceberam ainda a ligação da TMI com o marxismo cultural e com a Teologia da Libertação, conforme declara o texto abaixo de Julio Severo:

"(...)O Brasil inteiro está sendo mergulhado numa revolução e lavagem cerebral marxista, que atinge desde escolas até governo. Por que deveríamos achar que as igrejas evangélicas ficariam ilesas? Ariovaldo Ramos, considerado um dos “apóstolos” dessa teologia, declarou: “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação.” Entenda: os gigantes da TMI sempre caminham, de uma forma ou de outra, com políticos e militantes esquerdistas, conforme confirmou em entrevista exclusiva ao Blog Julio Severo Maya Felix, que durante anos fez parte do MEP (Movimento Evangélico Progressista), o maior movimento protestante da TMI para politizar, de modo esquerdista, a Igreja Evangélica do Brasil.
---http://juliosevero.blogspot.com.br/2014/06/por-que-esconder-real-intencao-da.html
---
http://juliosevero.blogspot.com.br/2014/01/a-maior-ameaca-igreja-evangelica-do.html

Ana Lúcia Louback disse...

Prezado Pastor,

Parabéns! Seu comentário representa uma excelente contestação contra essa teoria humana que deseja acrescentar algo às Sagradas Escrituras.

Infelizmente, como alertou Júlio Severo, os cristãos estão sendo contaminados com essas novidades e parecem atraídos por elas. Lamento não ver um combate mais firme contra essa nova teoria no meio evangélico que tem na ideologia da esquerda sua fonte. Ela parece "atraente" por causa de seu "tom" "romântico", atuando como um Canto das Sereias na procura de conquistar seus seguidores com sua teologia da pobreza. E seus propagadores têm conseguido adeptos em inúmeras denominações. Ninguém percebe a grande tática por trás dessas falácias.

Essa nova onda de inventar uma teologia latina parece inadequada, como se teologia fosse uma "verdade" regional e "social" e não universal, . Pois a Palavra de Deus é imutável e como Fonte legítima da verdadeira teologia foi escrita para o ser humano. E, não importa sua raça, sua condição social ou intelectual, ela fala ao homem. Ela é perfeita e completa. Não precisa de nenhum acréscimo. E para interpretar suas verdades basta seguir a verdadeira Hermenêutica e não as proposições marxistas.

Esses líderes e propagadores dessa teoria cuja base se encontra na Teologia da Libertação têm tomado posições políticas bastantes estranhas. Eles sempre aparecem apoiando e defendo posturas indefensáveis. Em contrapartida, combatem um povo que deveria ser amado, como Israel. Inclusive contradizem a própria Escritura em relação à Terra Prometida e saem em favor dos palestinos.

Muito sutil e perigosa essa nova teoria. Que Deus possa abençoar esse trabalho em defesa da verdade.

Anônimo disse...

Pois bem TMI do Ariosvaldo ramos,este cara ja esteve na igreja que eu estou servido o senhor Jesus,ele so nao falou que esta junto com o governo da Dilma,e com Lula,ele apoia o aborto,e a liberacao da magonha,e maigo de Caiu fabio e filho na FE,e comunista,apoiu hugo Chaves,gosta muito de pobre,ja Rene Kivisk,este Heregio,diz na sua pregaçao que hitrer esta no ceu,e bom parar comesta bricadeira,pois a postacia ja foi muito longe

Anônimo disse...

Pois bem TMI do Ariosvaldo ramos,este cara ja esteve na igreja que eu estou servido o senhor Jesus,ele so nao falou que esta junto com o governo da Dilma,e com Lula,ele apoia o aborto,e a liberacao da magonha,e maigo de Caiu fabio e filho na FE,e comunista,apoiu hugo Chaves,gosta muito de pobre,ja Rene Kivisk,este Heregio,diz na sua pregaçao que hitrer esta no ceu,e bom parar comesta bricadeira,pois a postacia ja foi muito longe