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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Quem inventou o Cristianismo não foi Constantino- nem Caio Fábio!

Por André Gomes Quirino
Eu confesso: a entrevista de Caio Fábio ao “The Noite (SBT), de Danilo Gentili, me surpreendeu. Surpreendeu-me positivamente, sim, quando o entrevistado insistiu que o profeta Jonas pode ter sido literalmente engolido por um grande peixe e que há possessões demoníacas reais. Isso mostra que Caio não é exatamente um liberal. Surpreendi-me negativamente também, quando ele contou com naturalidade um caso de abuso sexual que sofrera na infância, como fosse uma experiência saudável e recomendável. O flerte com o marcionismo (google it) já não me surpreende. Tampouco o linguajar agressivo – que não é menos contraproducente em personas pretensamente “intelectualizadas” como Caio Fábio do que em figuras mais vulgares como Silas Malafaia ou Datena. Ainda que Caio faça críticas certeiras e necessárias à religiosidade popular evangélica, sua arrogância latente e seu estado de imponderabilidade quântica” (sic) quase sempre o levam a cometer gafes pueris. Surpreendi-me negativamente principalmente quando o entrevistado, que já estudou a fundo Francis Schaeffer e teve contato com obras de gente como Louis Berkhof, soltou um clichê imperdoável vindo de um homem de estudos: “o cristianismo”, asseverou ele, “é uma invenção de Constantino”.
Eu sei, Caio Fábio não é um “homem de estudos” no sentido “newtoniano” (sic) da palavra, e provavelmente me responderia que Jesus é a chave hermenêutica dos estudos. De fato, Jesus é a chave hermenêutica dos estudos, da Bíblia, de mim, de você. Por isso mesmo, os estudos, a Bíblia e tudo o mais devem ser levados a sério. Mesmo porque há que se reconhecer que Caio Fábio em algum lugar estudou (bem ou mal) esses equívocos que dissemina. Ele não os inventou. E hoje jovens revoltados – sem saber muito bem com o quê – que acreditam na primeira informação que a Wikipedia lhes traz repetem clichês como o supracitado aos borbotões.
Quem, no século passado, dizia algo semelhante ao que disse Caio, mas com elaboração mais refinada, era John Howard Yoder, um anabatista americano, professor na Universidade de Notre Dame, crítico de Reinhold Niehbur. Outro professor de ética cristão com convicções pacifistas, antinacionalistas e, por assim dizer, anticlericais, que recebe grande influência da obra de Yoder, é Stanley Hauerwas, autodenominado pós-liberal. Ele atua ainda hoje, também em Notre Dame; certa vez, chamou a sola scriptura de heresia; defende a teologia narrativa; como intelectual público, fez participações no programa da Oprah Winfrey. Não, não tenho implicância com teólogos que participam de talk shows. Reconheço, Hauerwas é mais profundo que Caio Fábio: também recebe a saudabilíssima influência dos gigantes Dietrich Bonhoeffer e Alasdair MacIntyre (este, ainda vivo).
Pois bem. É em resposta a Hauerwas e, principalmente, Yoder (autor de “The Politics of Jesus” [“A Política de Jesus”]) que surge o livro “Defending Constantine: The Twilight of an Empire and the Dawn of Christendom” [“Defendendo Constantino: O Crepúsculo de um Império e o Alvorecer da Cristandade”] (IVP Academic, 2010), de Peter J. Leithart. Os acólitos de Caio Fábio que queiram se aprofundar nos estudos da História da Igreja fariam bem em acompanhar o debate que o livro desencadeou. Em tempo: Caio e outras figuras do meio teológico evangélico gostam de ostentar as acusações e perseguições que sofreram. Leithart já foi acusado de heresia pelo presbitério da PCA (Presbyterian Church of America). Foi inocentado. Não tem medo da polêmica (escreveu há pouco tempo, na First Things, o excelente artigo “The end of Protestantism” [“O fim do protestantismo”]; talvez o título nos traga à memória um “Deus nos livre de um Brasil evangélico”, de outro figurão tupiniquim – a diferença é que o artigo deste último é pouco mais que um esbirro de ideologia política), mas também não tem medo de estudar e pensar com seriedade ao mesmo tempo em que professa a fé na una e santa Igreja universal.
Quem diz que “o cristianismo é uma invenção de Constantino” está querendo dizer uma de duas coisas: ou que o estabelecimento do núcleo de dogmas e doutrinas que até hoje é considerado a ortodoxia cristã (é a prática comunitária disso que eu preferencialmente entendo por cristianismo) foi decisivamente influenciado por Constantino, que o teria paganizado (parece ser essa a intenção da fala de Caio Fábio, que também menciona a crença numa deusa romana como componente da mixórdia que haveria originado esse “cristianismo”); ou que, antes de Constantino, os cristãos associavam-se e agiam com certa espontaneidade que lhes autorizava a pensar como Caio Fábio pensa hoje, a saber, que “Igreja sou eu, é você” (resposta que ele deu a Danilo Gentili, quando este lhe questionou se o movimento Caminho da Graça não acabaria por se transformar numa igreja como as outras), e que, após Constantino, essa espontaneidade acabou.
Vejamos de perto cada uma das duas hipóteses, a partir da contribuição de Peter Leithart.

Constantino paganizou a fé em Cristo?
O livro de Leithart é uma biografia de Constantino, mas é também uma análise da crítica de Yoder ao que este chamava “constantinianismo”: a tendência teológica moderna de se achar que os Estados nacionais (ou ao menos um deles) devem caminhar para uma “cristianização”, a fim de que o Reino de Deus se estabeleça na Terra. Em termos teológicos: trata-se do reconstrucionismo pós-milenista, comum em alguns círculos calvinistas. Muitos alegam que Schaeffer tendia a essa posição. O famoso teólogo arminiano Roger Olson, em sua resenha do livro de Leithart, pondera que este também pende ao reconstrucionismo – embora o livro ainda seja, nas palavras de Olson, “altamente recomendável”.
Mas Leithart não discorda integralmente da crítica de Yoder. Hauerwas diz que “Defending Constantine” é “um livro importante”, cuja crítica seria “apreciada e levada a sério por Yoder”, e desabafa: “Como um pacifista, eu não poderia esperar um parceiro de diálogo melhor que Peter Leithart. Deus é bom”. Podemos dizer com tranquilidade que não é preciso ser um reconstrucionista para apreciar “Defending Constantine”. Tanto é assim que a resenha de Stanley Hauerwas é quase integralmente um elogio ao livro, em que, segundo ele, inegavelmente o autor fez sua “lição de casa” histórica: foi rigoroso nas pesquisas que o levaram a reconstruir uma figura tão polêmica como a de Constantino. De fato, a tese é de que a imagem que popularmente se tem do imperador (de um inescrupuloso que se aproveitou da religião cristã por interesses políticos e, de quebra, paganizou a Igreja) é por demais simplista, já que Constantino – como, na verdade, todos nós – foi um ser humano cheio de complexidades.
Podemos todos partir de um ponto em comum: a relação entre o império romano e os cristãos a partir de Constantino foi mesmo problemática para nossos padrões atuais. Mas a primeira pergunta a se fazer, após constatar-se isso, é: os padrões modernos são válidos para se julgar um procedimento do século quarto? Ou, mais pontualmente: poderia ter acontecido de modo diferente após a conversão de Constantino? Parece-me que a resposta é obviamente não. E é nessa direção que caminha Peter Leithart. Nas palavras de Roubert Joustra, em sua resenha de “Defending Constantine:
Constantino viu sua religião como um continuum integrado com sua política. Ele não usou a religião para unificar seu império, como se fosse algum tipo de externalidade. A religião e suas funções estavam vinculadas à vida romana pública e privada. Portanto, a conversão de Constantino também significou mudança política; não por causa de alguma mistura original, odiosa de teologia e império, mas porque a Roma do quarto século não conhecia nada diferente.
Aqui começa a se desnudar a deficiência fundamental da tese de que “o cristianismo é uma invenção de Constantino”: falta-lhe a consciência histórica, absolutamente fundamental no processo de maturação intelectual de qualquer indivíduo. A aliança entre o império romano sob Constantino e a Igreja não foi friamente conspirada por bispos sedentos de poder e o imperador. Foi uma decorrência natural da conversão de Constantino.
Sua conversão foi sincera? O império melhorou em algum aspecto após a “cristianização”? Leithart argumenta que sim – e “convincentemente”, segundo a adjetivação de Hauerwas. Ele aponta que, após a visão de Constantino da cruz com a frase “In hoc signo vinces” (“Sob este símbolo vencerás”), o helênico se tornou um cristão verdadeiro e, tendo compreendido que Jesus era o fim do sacrifício, “dessacrificiou” a ordem política romana. É bom lembrar que, ao contrário do que muitos dizem, não foi o edito de Milão (do ano 313) que tornou o cristianismo a religião oficial do império romano, mas o edito de Tessalônica, publicado em 380 por Teodósio. O primeiro apenas tirou os cristãos da clandestinidade. Mas Leithart não pretende isentar o governo de Constantino de erros. Pelo contrário: a imagem que ele usa é de que o império sob Constantino recebeu a Igreja dentro de si e permitiu ser batizado por ela; tratando-se de um “batismo infantil” (não uma conversão repentina ou completa), ele foi apenas um começo.
A avaliação do historiador Eusébio de Cesareia é mais entusiasmada:
Assim, depois que toda a tirania havia sido finalmente purgada, o império foi com justiça conservado firme e sem rival a Constantino e seus filhos. Os quais, em primeiro lugar eliminando aquela inimizade contra Deus mostrada pelos governantes anteriores, sensíveis às misericórdias a eles conferidas por Deus, também mostraram seu amor pela religião e por Deus, com  devoção e gratidão a Ele pelas obras e operações que apresentaram à vista do mundo inteiro. (CESAREIA, Eusébio de. “História Eclesiástica: Os Primeiros Quatro Séculos da Igreja Cristã”. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 403)
Muitos dizem que o entusiasmo de Eusébio se deve a uma simpatia do historiador à posição de Constantino na polêmica ariana. Já chegaremos nesse ponto. Por ora, prefiramos a apreciação comedida de Leithart. Mesmo porque não é preciso gostar do governo constantiniano para negar que ele tenha paganizado a fé cristã. Nosso ponto é mais elementar.
O que permanece agora é a pergunta: a mistura Igreja-império, que para Roma parecia natural, não foi prejudicial à fé cristã? A Igreja não piorou em algum aspecto após sua “imperialização”?
No aspecto administrativo, sim. A Constitutum Donatio Constantini (Doação de Constantino) é um emblema de que a dependência da capital do império por parte da Igreja se agravou – ao ponto de, quando da sua mudança para Constantinopla, ter-se o germe do Grande Cisma do Oriente. Mas o próprio cisma, e futuramente a Reforma Protestante, são sinais de que a piora não foi irreversível.
Outras arbitrariedades, e estas gritantemente banais, que se condena na era Constantino são a construção da Igreja do Santo Sepulcro onde antes havia o templo de Afrodite e o estabelecimento da Páscoa no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera. Bem, não posso conceber que alguém em sã consciência considere essas duas instituições definidoras do cristianismo. Elas são uma construção e uma data contingentes que nos lembram a nós, seres contingentes, da única coisa necessária: Cristo. Essas instituições só são “necessárias” por causa do homem, por causa de mim, por causa de Constantino. Não deve haver espanto, muito menos condenação, em que Constantino influenciasse no estabelecimento delas.
Lembremo-nos de que o “continuum integrado” do qual nos fala Joustra parecia natural também à Igreja. Mais tarde, partes dela, em momentos e lugares diferentes, perceberiam seus desvãos administrativos. Mas, no século IV, eu e você não gritaríamos: “Vejam só, Constantino está criando algo que o Senhor jamais criaria, e isso se chamará cristianismo!” Primeiro porque, se de fato o cristianismo só tivesse se iniciado com a aliança da Igreja com o império, nós não perceberíamos o evento já na época em que ele ocorreu. Ainda não teríamos lido Montesquieu, John Locke e Hobbes, nem Tomás de Aquino ou Agostinho, o qual contava 17 anos de vida quando Constantino veio a falecer. Somos, tanto quanto os fatos históricos, contingentes.
E, em segundo lugar, porque o cristianismo não se iniciou com Constantino. Para percebê-lo, façamo-nos a pergunta: quanto ao conteúdo da fé, a Igreja piorou com o governo constantiniano? Ela foi, poder-se-ia insistir, paganizada? Resposta: de maneira nenhuma. Consultemos o credo resultante do Concílio de Niceia, que Constantino convocou, e o confrontemos com as crenças pagãs daquela época. Sobre Cristo, o Credo afirma:
[Cremos] em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim.
Escreve Oskar Skarsaune:
Certamente os pais de Niceia não “helenizaram” a cristologia com seu credo. Já vimos como era ofensiva a simples ideia do Deus real encarnar-se, e mesmo sofrer, em contexto helênico. Em Niceia, a igreja confessou que o Filho, um ser único com o Pai, sofrera de fato. Não havia como abrandar isso recorrendo-se à explicação de que a divina natureza do Filho era menos divina ou de caráter semidivino. Em Cristo Deus sofreu. Isso era algo tão repugnante para um helenista como para qualquer outra pessoa, porém os pais de Niceia entenderam ser essa a doutrina da Escritura. (“À Sombra do Templo: As Influências do Judaísmo no Cristianismo Primitivo”. São Paulo: Vida, 2004, p. 348)
O helenismo tendia, isso sim, ao arianismo – i.e., à tese de que Jesus não era eterno, mas apenas um homem superior. Posição que, aliás – e aqui voltamos ao tema que, quando citamos Eusébio de Cesareia, ficou suspenso –, contava com a simpatia de Constantino. Foi ele quem obrigou o bispo de Constantinopla a readmitir Ário como cristão. Se o cristianismo foi paganizado em Roma, por que, então, o Credo de Niceia desafia frontalmente o status quo helênico? Se Constantino influenciou na elaboração do Credo (e não apenas convocou o concílio que o estabeleceu), por que sua opinião foi rejeitada?
A associação automática que se faz entre posições ortodoxas e pessoas que estão no poder é um cacoete intelectual tipicamente moderno. Leva-se quase que como um axioma insofismável, um princípio autoevidente, que é do interesse do poder preservar a ortodoxia e perseguir os hereges. Alister McGrath desmonta esse cacoete em “Heresy: A History of Defending the Truth” [“Heresia: Uma História da Defesa da Verdade”]. Não são raras as vezes em que os hereges é que estão no poder, e os ortodoxos é que são perseguidos. Foi o caso da polêmica ariana na época de Constantino. E, para não parecer que se tratou de um desmando exclusivo desse imperador, lembremo-nos de que Atanásio, bispo de Alexandria e oponente dos seguidores de Ário, foi por causa desse posicionamento exilado nada menos que cinco vezes: uma pelo próprio Constantino, outras duas por seu filho Constâncio II, mais uma por Juliano e a última por Valente.
Só há uma explicação possível para a tamanha persistência de Atanásio: Constantino não estava criando uma coisa nova chamada cristianismo, mas se relacionando com algo que já existia antes dele e continuaria a existir depois que seu governo acabasse. Essa relação poderia ser boa em alguns sentidos e ruim em outros. E esse algo era o cristianismo.

Constantino alterou o modo de vida dos cristãos primitivos?
O segundo sentido possível para a frase “O cristianismo é uma invenção de Constantino” seria o de que, a partir desse imperador, a comunidade cristã perdeu sua dinâmica, engessou-se. Decorre um julgamento semelhante da tese do pacifista John Howard Yoder de que, antes de Constantino, os cristãos eram pacifistas quase que no sentido moderno, e repudiariam a política constantiniana – que se pretendia cristã, mas era bastante belicista. Leithart procura demonstrar historicamente que as coisas não foram assim, e que mesmo antes de Constantino os cristãos não se deixavam nortear unilateralmente por algum princípio semelhante a “Jamais ore para que alguém vença uma guerra”. A tese do pacifismo pré-constantiniano servia de ponto de partida para que Yoder sustentasse que, de maneira geral, com Constantino o cristianismo iniciou uma paulatina decadência. Terá sido mesmo assim?
Antes de prosseguir, notemos que não se pode menosprezar os debates teológicos de caráter mais teórico para afetar que esta discussão se dá entre “os verdadeiros espirituais que preservam a dinâmica dos cristãos primitivos” e “os carnais que apostataram do espírito cristão inicial, trocaram-no por doutrinas humanas e, ainda por cima, estabeleceram estas doutrinas como a ortodoxia” (expediente comum entre caiofabianos). Definitivamente não é esse o panorama real. Por exemplo, quando Caio Fábio diz que o autor da carta aos Hebreus dá por certo que a obra de Cristo faz o Antigo Testamento caducar, está implícito aqui um pressuposto que não pode ser depreendido apenas de um “estado de espírito”. Trata-se de uma doutrina clara (que Caio, talvez inconscientemente, estabelece como a ortodoxa): o Novo Testamento anula o Antigo. Trata-se do marcionismo, que já foi declarado como heresia pela Igreja.
É aqui que os anticlericais se escandalizam: “Como um grupo de pessoas tem o desplante de se autodeclarar a Igreja? E de determinar o que é e o que não é heresia?!” A réplica é logicamente inescapável: “Como vocês têm o desplante de se autodeclarar a verdadeira Igreja, mais fiel a Cristo que a ‘falsa’? E de determinar que o que a outra Igreja chama de ortodoxia é que é heresia?!” É a pergunta de Danilo Gentili que deve ecoar sempre nas mentes de quem declara guerra à Igreja: “Mas esse movimento de vocês não se torna também uma igreja?”
Os atos da Igreja no sentido de definir a doutrina ortodoxa e combater os ensinos heréticos não começaram com Constantino. Paulo e João, em suas cartas, opõem-se duramente ao gnosticismo. Semelhantemente, se os cristãos primitivos não se reuniam em templos, era unicamente porque a perseguição não lhos permitia; ainda assim, o autor da carta aos Hebreus insta-os a não deixarem de congregar nas casas que lhes serviam de templos. E, por fim, os erros administrativos da Igreja na época de Constantino ou em qualquer outra época são erros dessas épocas. Assim como Paulo errou ao desistir de João Marcos numa viagem missionária. Quando a Igreja cresce, seus problemas e as consequências destes também crescem. Devemos aprender com eles, evitando-os, porque estamos sujeitos a repeti-los; mas sem condenar apressadamente quem originalmente os cometeu. “Aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” Essa é a dinâmica da Igreja. Os erros que se comete dentro dela não invalidam sua própria instituição, não invalidam o próprio cristianismo.
Ademais. Se por “institucionalização” ou “criação” do cristianismo se entende o estabelecimento de uma ordem ministerial, a sistematização de uma doutrina, o diálogo com as culturas etc., julgá-la um mal só pode ser uma piada de mau gosto. No princípio da cristandade, é verdade, os cristãos, poucos que eram, podiam confessar e comunicar sua fé apenas reportando-se ao fato Jesus de Nazaré: seu nascimento virginal, seus milagres, sua morte na cruz, sua ressurreição corporal e sua ascensão ao céu. Isso é o Evangelho: um acontecimento, um evento. É essa a ordem, aliás, do surgimento de todas as religiões e crenças que já existiram. Primeiro o mito (que não necessariamente é algo irreal; aqui, uso o termo apenas no sentido de “acontecimento surpreendente” que, sendo disseminado, impacta o imaginário de toda uma comunidade), depois – se e quando necessário – a sistematização de sua doutrina. Foi assim que aconteceu na História porque é assim que o funcionamento da nossa mente requer que aconteça. Mesmo doutrinas que não partem de uma revelação – por exemplo, filosofias pagãs – só puderam surgir depois de a comunidade já compartilhar de um imaginário mais ou menos homogêneo, com signos comuns, que permitissem-lhe a comunicação. A filosofia grega só foi possível após o teatro grego. Platão só foi possível após Téspis. E é a nós neste estado – rigorosamente idêntico ao dos gregos: humanos – que a Revelação de Deus em Cristo se dirige.
Deus, que contempla nosso estado, sabia das desventuras por sobrevir. Por isso Jesus escolhe doze discípulos e confia-lhes intimamente Seu ensino e Sua obra. Por isso Jesus fundou uma Igreja, e prometeu que as portas do Inferno não prevaleceriam contra ela. Por isso Ele prometeu estar com Seus seguidores todos os dias até a consumação dos séculos. Por isso incentivou-os à vida em comunidade, prometendo que onde estivessem dois ou três reunidos em Seu nome ali Ele estaria presente. Por isso prometeu enviar o Espírito Santo, que lembraria aos discípulos de tudo o que Ele disse. Não, eu sozinho não sou Igreja. Você sozinho não é Igreja. Eu individualmente posso ser templo do Espírito; você individualmente pode ser templo do Espírito. Mas apenas nós somos Igreja. Nós, em conjunto, que somos movidos pelo Espírito e confessamos aquEle que desceu do Céu e subiu novamente para nos preparar lugar, é que somos Igreja. Sim: o cristianismo é uma invenção de Jesus.
Não podemos imputar-Lhe a nossa lastimável falta de consciência histórica. Ele sabia que, com o tempo, a comunidade de crentes cresceria, o acontecimento fundador ficaria mais distante no tempo, os novos crentes teriam dúvidas sobre o que pode e o que não pode se preservar das culturas de que eles provêm, e seria preciso sistematizar o acontecimento doutrinariamente para estes. Concílios lhe parecem antidemocráticos? Os discípulos foram quem os inventaram. Os judeus convertidos tinham dúvidas quanto ao que fazer com suas práticas cerimoniais e os apóstolos do primeiro século realizaram, para as responder, o Concílio de Jerusalém – está em Atos 15. A ordem ministerial (com diáconos, presbíteros, pastores) parece-lhe tirânica? Paulo, mais de uma vez, escrevendo aos efésios e escrevendo aos coríntios, fala dos ministérios que Deus provê à Igreja. O mesmo Paulo, também, visitando Atenas, fala aos filósofos estoicos e epicureus, no Areópago, que “o Deus desconhecido” que eles veneravam era o que ele lhes anunciava. Desse diálogo com uma cultura surgia uma civilização, a nossa civilização, a civilização que nos permite amar tanto quanto hostilizar a Igreja. Agora parece-lhe que foi Paulo, e não Constantino, quem estragou o que Cristo fundou? Friedrich Nietzsche já o dissera.
Sim, leitores. Como se vê, Caio Fábio não é o inventor da crítica ao cristianismo. Mas, quando ele diz que o inventor do cristianismo é Constantino, o que no fundo sua frase implica é que ele, Caio Fábio, que a pronuncia, e só ele, é que é capaz de perceber o verdadeiro significado da fé cristã, que Constantino deturpou e que desde então ninguém mais encontrou. O que no fundo sua frase implica é que Caio Fábio inventaria algo melhor do que o que Constantino inventou. Sabemos: nem Constantino inventou o cristianismo, nem Caio Fábio – ou eu, ou você – poderia inventá-lo. O imperador foi parcialmente responsável por alguns erros administrativos da Igreja, sim, mas nisso ele também é vítima de sua época, da dinâmica histórica, da condição humana. A fé cristã é a mesma antes e depois de Constantino. A Igreja errava antes do imperador e continuou errando após ele. Acertava antes do imperador e continuou acertando após ele. A Igreja é um drama dentro do drama que é a História humana. Ela necessariamente implica o cristianismo. Jesus a fundou, e a tem guiado há dois mil anos, revitalizando-a sempre no Espírito Santo, que nos faz lembrar do bendito acontecimento Jesus, orientando-a na sistematização da doutrina – para o que contamos com a incomparável ajuda das Escrituras Sagradas – e fortalecendo-a contra o surgimento de heresias. É precisamente por causa do homem que a Igreja existe. E, na medida em que um cristão é cristão, ele também está na Igreja, e coopera com o cristianismo. Caio Fábio só pode dizer que “o cristianismo é uma invenção de Constantino” porque um dia o cristianismo lhe introduziu a algum conhecimento. No limite, porque a Igreja sobreviveu a Constantino. A Igreja nos afeta enquanto cristãos e enquanto humanos. E só se pode negá-la porque ela é viva.

A multidão a-igreja-é-imperfeita odeia Constantino e noções de cristandade, mas eles querem que a igreja seja patrona das artes, e execute programas educacionais, e faça unir o mundo em paz e amor. (DeYOUNG, Kevin; KLUCK, Ted. “Why We Love the Church: In Praise of Institutions and Organized Religion” [“Por Que Amamos a Igreja: Em Louvor às Instituições e Religião Organizada”]. Chicago: Moody Publishers, 2009, pp. 87-88)

24 comentários:

Valderi Felizado da Silva disse...

Gutierrez, longe de defender o santo/herege Caio Fábio. Mas o que ele disse em relação ao "cristianismo" que vemos hoje não parece com nada em relação ao que está se escrito nos evangelhos. O que vemos hoje é disputa pelo poder, heresias, dogmas, rituais, mandamentos humanos, doutrina, julgamento, templos de recolhimento de dízimos e ofertas, as quais são usadas apenas na "obra", ou seja, construção de palacetes e enriquecimento dos líderes. Quando vejo o papa, ou algum super Bispo/Apóstolo/Missionário/Patriarca, remete-me aos imperadores romanos, não aos apóstolos ou pastores cristãos do primeiro século. Neste ponto, Caio Fábio está certo. Tudo isso saiu daqui, da terra, ou pior, do inferno. A Igreja teve problemas e virtudes antes e depois de Constantino?, mas foi com ele que o negócio ficou oficial e centralizado.

Anônimo disse...

Ótimo texto. Pega bem nas minhas dificuldades em história da igreja. Queria saber sua posição sobre a Ortodoxia, a Fé e a Igreja Verdadeira na Idade Média, já que na cultura pentecostal e evangélica muitos reconhecem a Igreja da Idade Média como uma igreja pecadora e um período em que não houve igreja de verdade. Queria saber por causa do texto que você usou sobre as portas do inferno não prevalecerão. Não é uma crítica, irmão, é um pedido.

André Quirino disse...

Paz, Valderi!
Aqui é o André, autor do texto. Quero fazer notar que logo no primeiro parágrafo eu digo que Caio Fábio faz "críticas certeiras e necessárias à religiosidade popular evangélica". Digo-o pensando inclusive nos "apóstolos" e "patriarcas" hodiernos que você menciona. Mas parece que o argumento central do texto não lhe ficou muito claro. Não foi com Constantino que o cristianismo se tornou a religião oficial do império romano, mas com Teodósio. Que com aquele a Igreja tenha se tornado centralizada, eu o concedo, mas com a ressalva de que naquela época não poderia ser diferente. É fácil chamar uma administração do século IV de centralizadora analisando-a a partir do século XXI. Difícil seria fazê-lo sem ter lido Montesquieu. E que dogmas, doutrinas e rituais sejam um desvio da fé cristã primitiva, procuro-o negar com referências a passagens do Novo Testamento e à obra de Peter Leithart. Considere fazer uma releitura do texto. E muito obrigado pela interação.
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Anônimo,
Paz!
De fato, a cultura evangélica - e, especialmente, pentecostal - é bastante incisiva na tese de que na Idade Média não havia verdade, não havia a Igreja (com I maiúsculo). Não é difícil perceber que essa tese traz muitos problemas: então quer dizer que ninguém que nasceu durante a Idade Média teve acesso à verdade? Jesus mentiu quando disse que as portas do Inferno não prevaleceriam contra a Igreja? E por que a arbitrariedade de algumas pessoas (Lutero, Calvino etc.) de repente terem se dado conta do desvio que escapou a todos que lhes antecederam?
É óbvio que a tese evangélica vulgar parte de uma percepção errada do que seja Igreja. Mas essa não é a tese protestante propriamente dita. Tenho procurado esclarecer esse equívoco em alguns dos meus textos aqui no blog. Se ainda não leu, peço a gentileza de que leia os artigos "Igreja: a grata surpresa da racionalidade": http://www.teologiapentecostal.com/2014/03/igreja-grata-surpresa-da-racionalidade.html e "Minha maioridade e o protestantismo": http://www.teologiapentecostal.com/2013/10/minha-maioridade-e-o-protestantismo.html Se ainda restar alguma dúvida pontual sobre o tema, esteja à vontade para registrá-la neste espaço.
Obrigado pelo comentário!

Carlos Alves disse...

Valderi, a opinião de que parte do evangelicalismo brasileiro se encontra num estado lastimável nao é nenhuma novidade para cristãos sinceros. Basta uma pequena reflexão pos estudo bíblico para se perceber que alguns movimentos evangélicos estão em decadência. A opinião do Caio Fabio acerca do movimento neo-pentecostal e etc é uma obviedade. Ele declara verdades e mentiras, mas suas verdades são do tipo "descobrir a roda". O problema esta na relativizacao da verdade sob o argumento do "cristianismo fundado por Constantino", da decadência dos evangélicos e, principalmente, da ideia de que o Novo Testamento anula o Antigo Testamento. Para mim o diagnostico é o seguinte: alguém pecou e, para justificar seus pecados, criou uma espécie de "novo pensamento" sob a influencia de pensamentos antigos.

Valderi Felizado da Silva disse...

André Quirino, parabéns pelo texto. Que Deus continue a iluminar-te para dar-nos textos como esse. Sim, claro, há um erro dos "estudiosos" quando os mesmos dizem que foi Constantino que criou o "cristianismo", quando na verdade foi Teodósio décadas mais tarde que, hipoteticamente, teria feito. Erro esse, aliás, formulado por quem não tem o real conhecimento da história da Igreja e repetido como papagaio de pirata pelos ateus. Em relação às doutrinas, dogmas, etc, talvez as únicas ordenanças sejam o batismo e a ceia, que era uma continuação, digamos assim, da comida sacrificial dos hebreus, e a primeira como um passar pelo Mar Vermelho. O resto, missas, rezas, dízimos, centralização do poder, santuário, altar, roupas, amuletos, não toques, liturgia, credos, etc, foi institucionalizado e oficializado pelos imperadores/papas.

Aprendiz disse...

Valdeni

Você está errado. Não existe um passe livre para dizer bobagens, sem poder ser contraditado. Dizer "sou contras pastores ladrões" não dá direito a ninguém de distorcer a história, inventar teologias anti-bíblicas e ser arrogante. Todo dia vejo os defensores de Caio Fábio usarem dessa artimanha. Se alguém fala "Caio Fábio disse bobagem", logo vem sempre a mesma resposta "ele está certo porque é contra a ladroagem". É simples assim? Então tá, vou dizer "sou contra a ladroagem", depois vou disser uma monte de tolices, serei arrogante, e todo mundo será proibido de apontar meus erros...

Valderi Felizado da Silva disse...

Aprendiz, o texto do irmão André não foi para julgar toda a entrevista, a qual, em algumas partes, foi vexatório. E o que eu escrevi foi em relação ao momento da história em que as coisas que se praticavam no cristianismo nos séculos II e III foram de fato institucionalizadas e colocadas como indispensáveis à salvação. Uma coisa é a prática isolada e não oficial de algumas doutrinas, o que de um certo modo a Bíblia nos alerta, outra coisa, e isso o Caio Fábio acertou, é a elevação disso tudo em algo santo e determinante à aproximação do Divino. Finalizando, vejo o Caio Fábio, assim como o Macedo, aquilo que Paulo disse: Retenho o que é bom.
.
Irmão Carlos Alves, sim, como eu disse, não sou defensor do Caio Fábio. Mas no que ele mentiu? Talvez ele tenha dito algo fora da realidade ou da ortodoxia. Mas o que ele disse? Sobre a institucionalização do dízimo, e que este é usado em prol daqueles que são "autorizados" a recebê-lo? O que ele disse em relação ao que está fora da realidade, com certeza é dizer que os crentes ficaram burros. Mas digamos assim, no contexto de hoje, onde a música cristão é nada mais que a expressão da teologia do cangaço, da exaltação de líderes que querem ser mais profetas que pastores, e repetições de bordões e descontextualização das passagens bíblicas, ele apenas usou o que temos de mais impactante hoje. Nada mais fora da realidade.

André Quirino disse...

Muito obrigado pela deferência, Valderi.
Mas, veja: o argumento do texto também não é de que, em vez de Constantino, o inventor do cristianismo fora Teodósio. Oficializar o cristianismo é bem diferente de inventá-lo; aliás, oficializá-lo pressupõe que ele já exista. Repito-me literalmente: o inventor do cristianismo foi Jesus. Porque, ainda que no primeiro século não houvesse uma cristandade tão organizada quanto se veria a partir do século IV, não se deve depreender que as coisas foram assim a princípio porque só assim Jesus as permitiria. Meu argumento (e o de Leithart) é de que, a partir de Constantino, foi natural que o cristianismo se institucionalizasse. E isso trouxe muito mais benefícios que malefícios - estes últimos se restringiram ao aspecto administrativo, e também foram naturais à época. Perceba que, quando você diz que as únicas ordenanças são batismo e Ceia (na verdade os considero sacramentos, sim; mas esse é outro debate), você parece exigir dos cristãos do século IV um esclarecimento que só seria possível após muitíssimos anos de estudo acumulado - esse debate só deve ter se iniciado, no mínimo, lá pelo século XI. De resto, a sua lista de supostos excessos institucionalizados e oficializados pelos imperadores e papas me parece carecer do mesmo simplismo que a tese de que Constantino foi um inescrupuloso que paganizou a Igreja. Missa, stricto sensu, é um culto em que há a Eucaristia (Ceia) e há uma liturgia rígida; é claro que ela não começou a ser praticada só depois de Constantino. Do mesmo modo, todos os salmos serviram de reza, strictu sensu (oração decorada - e há tempo para ela, sim), aos cristãos primitivos. (Reza a santos, essa, sim, surgiu tardiamente, e é um terrível erro). Dízimos, igualmente, não ressurgiram apenas no século IV. Santuários, como disse no texto, só não havia no século primeiro porque a fé cristã era clandestinizada. Roupas litúrgicas são irrelevantes. E credos, estes são o coração da fé da cristandade! Não fosse eles, a fé cristã não haveria chegado até nós. Oficializar amuletos e não toques seria de fato um erro, mas que eu saiba isso foi feito por pouquíssimo tempo, e bem depois do século IV. Mas temos, sim, um ponto de concordância: a centralização do poder começou com Constantino, e isso foi ruim. A partir daí, a simbiose entre império e Igreja, com imperadores metidos a papas e papas metidos a imperadores (sem falar na própria instituição do papado, um erro), daria origem a erros gravíssimos. Mas, pensando apenas no que aconteceu durante o governo de Constantino, notemos que 1) no século IV nós também não adivinharíamos as más consequências da centralização e 2) a centralização não foi irreversível, do que são provas o Grande Cisma do Oriente e a Reforma Protestante.
Insisto que uma releitura atenta do texto completo, se não lhe for incômoda, talvez esclarecesse esses pontos.
Mais uma vez, obrigado.
___________________
Em tempo: endosso o que escreveram o Carlos e o Aprendiz. Abraços!

Aprendiz disse...

Caio Fábio pega carona nos movimento dos "desigrejados", para tentar se reinventar. Ocorre que esse movimento é um equívoco. Até há pontos de distorção da Igreja atual (que é multipla, ampla, não monolítica) em relação à Igreja dos tempos apostólicos. Mas a tese fundamental dos desigrejados é historicamente falsa. É falso que a Igreja não era instituição desde o começo. A Igreja nunca foi apenas um grupo informal de amigos. Mesmo quando Jesus estava na sua carne, aqui, haviam apóstolos, haviam discípulos, haviam ofertas, havia obra, havia até um tesoureiro. Isso não é um simples grupo informal de amigos, nunca foi.

Quanto às igrejas atuais, naquilo que a maioria tem em comum (não falo das peculiaridades de cada grupo), acho que as duas únicas coisas que são invenções posteriores, são os dízimos e o domingo. Quero, dizer, o entendimento que passou a existir sobre os dízimos e o domingo, porque sustentar os obreiros com ofertas já era prática desde o início, e reunir-se no primeiro dia da semana também já era comum (embora o "primeiro dia da semana" talvez fosse simplesmente o que chamamos hoje de sábado a noite). E antes que falem sobre isso, eles também, quando podiam, reuniam-se em lugares mais ou menos fixos, e regularmente.

Jhonatan Guilherme disse...

Paz e graça irmão Gutierrez!

Apesar de não ter nada a ver com o assunto, gostaria de ver um post seu sobre o pentecostalismo não ser uma seita. Não sou pentecostal, mas é que há alguns ''reformados'' imaturos, que desprezam a ouvir todos e pregam um exclusivismo, estão espalhando dizendo que o pentecostalismo é uma seita. Gostaria, e creio que seria pertinente você se expressar biblicamente sobre essa questão.

Pertenço a tradição reformada, discordo de alguns pontos do pentecostalismo sim, mas quanto ao Evangelho sei qual é a confissão aos pontos centrais da fé cristã. De fato, infelizmente nos dias atuais vemos no meio pentecostal hereges que distorcem os pontos principais da fé cristã, mas não são todos e não é a história e a confissão deste movimento.

Pense sobre isso.

Jhonatan Guilherme disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Santana disse...

Quando se afirma que Constantino criou o Cristianismo, significa dizer que nele, como elemento histórico, o Cristianismo vivenciado nos primeiros seculos pela igreja dos apóstolos e depois pelos seus sucessores, tomou um rumo divergente. É claro que sempre houve um remanescente que pratica o verdadeiro Evangelho, mas que em Constantino a igreja institucionalizada, passou a viver sob um pseudo-fundamento: um Cristo condicionado sugestão humana.

Anônimo disse...

Bom dia!

Ótimo texto, muito bem explicado. É fácil olhar para trás e dizer "tá tudo errado!", com base no que conhecemos hoje. E tem também outro aspecto da centralização da igreja que é pouco obeservado, se ela não tivesse sido tão centralizada, ela teria sobrevivido à tentativa de expansão do islamismo na europa, que acabou com cristianismo no oriente matando os cristãos, mais ou menos como contece hoje no oriente médio. Como parece, os desigrejados nunca se perguntaram como os maiores núcleos do cristianismo da época do Constantino, hoje são dominados pelo islã? Basta ver que a maioria das igrejas citadas em Apocalipse e em Atos era na atual Turquia. Ser pacifista num mundo livre é fácil, "ser da paz" quando ninguém quer cortar sua cabeça (na hipótese menos dolorosa) é fácil. Falar das loucuras da IURD é fácil, admitir que ele, o Caio, fez dos evangélicos "massa de manobra", ele não faz. Quando um cara como esse vai num programa de talk show, é obvio que vai falar um monte de besteiras, assim como seria se o entrevistado fosse um Bispo, Apóstolo ou super pastor, que ele (o Caio no caso) chama de herege. Graças à Deus que vocês deste blog, vem desmentir essas bobagens!
Marco Aurélio

Anônimo disse...

Prezado André, o bispo ariano que influenciou Constantino foi Eusébio de Nicomédia e não Eusébio de Cesaréia, que era trinitariano.
No resto, o texto é muito bom.
Parabéns!!!!

André Quirino disse...

Caro anônimo,

Grato pelo comentário. Mas, apenas para ratificar: não, o Eusébio amigo de Constantino e simpático ao arianismo foi o de Cesareia mesmo. ;)

Abraço!

Juber Donizete Gonçalves disse...

Caros André e Gutierrez,

Eu só faria um adendo a declaração do Caio: Constantino não inventou o Cristianismo, pois já existia desde o século I, mas substituiria a palavra por "Catolicismo". Nesse sim, Constantino teve sua parcela de contribuição.

Abraço.

Anônimo disse...

Muito pertinente o comentário do Marco Aurélio

É preciso pensar nisto também.

Izabel Soraia

Diego Washington disse...

Nos documentos existentes que resistiram até nossa época, São Inácio foi o primeiro a utilizar o termo católico em referência à Igreja. Em sua jornada a Roma, sob escolta militar para o Coliseu, onde seria devorado por leões devido a sua fé, escreveu que “Vocês todos devem seguir o Bispo assim como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitério como vocês seguiriam aos apóstolos. Aonde quer que o Bispo surja, permita que as pessoas ali estejam, assim como onde quer que Jesus Cristo esteja, ali se encontra a Igreja Católica” (Epístola aos Esmirniotas).

Santo Inácio de antioquia - Bispo mártir 107 dc.

thiago disse...

Amigo, primeiramente, lhe agradeço pela reunião de tantas referências em sua publicação. Fantástico.
Porém, quero argumentar que o problema para minha humilde mente desprovida de conhecimentos históricos, não são as sequências de acontecimentos, o que realmente significaram e suas implicações.
Para mim, e quando digo isso é para mim mesmo, na minha vida, o que realmente se pode interpretar como algo do Espírito de Deus na terra são os frutos. Absolutamente não se precisa de todo conhecimento histórico para validar uma prática ou interpretação atual, basta olhar para Jesus e ver a simplicidade do que se percebe como vontade de Deus para nós. "Ninguém jamais viu a Deus, mas se amarmos uns aos outros, Ele permanece em nós, e seu amor em nós é aperfeiçoado.", sendo assim, tudo converge em amar como prática de vida, como verdade e dogma existencial.
Creio que o Caio quer dizer isso, mas como também está cheio de coisas a dizer sobre o fenômeno evangélico brasileiro, acaba se perdendo em seus próprios interesses.
Não valido nem a igreja seja católica, protestante ou qualquer que seja como instituição intrínseca de Deus na terra, nem valido movimentos independentes heréticos como tal. Penso que todos tem seus erros e muitos acertos, penso que são importantes como canais pelo qual as informações do evangelho chegam até pessoas como eu e você, mas também não tenho a presunção de pensar que sem a iniciativa humana o evangelho ficaria esquecido.
Pois, " as pedras pregariam".
Sem mais,

Thiago

Ivani Medina disse...

Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: a perseguição aos judeus. Portanto, nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

iwab silva disse...

Que beneficio teve o cristianismo apos ser institucionalizado, teve um mui pequeno beneficio para os simples, aqueles que foram beneficiados e que tiveram maior beneficios foram apenas a liderança, a qual foi dado poder, não devemos esquecer de que constantino deu autoridade aos bispos, e o que foi feito ao simples? O beneficio ao povo cristão foi o de simplesmente ter liberdade em parte de exercer sua fé em cristo, porque em parte explico: As histórias sobre as conversões dos imperadores quase sempre são feitos
colossais. Constantino é aquele que adota o cristianismo como religião oficial do
Império. O mesmo imperador que mandou matar o próprio filho, a mulher, o sogro
e o cunhado. Reza a lenda que Jesus apareceu para ele e lhe prometeu vitória na
batalha em troca da adoção do cristianismo como única religião do "mundo
civilizado" e do uso do símbolo da cruz, alçado de forma triunfante na batalha.
Naturalmente, nem todos os seguidores de Jesus concordaram com esse pacto,
que implicava uma verdadeira renúncia aos valores cristãos fundamentais. E,
então, um dos primeiros gestos cristãos de Constantino foi perseguir todos os
cristãos que seguiam o Evangelho literalmente e, assim, forçosamente, estavam
em conflito com os devotos do poder. Um sem-número deles foi morto, outros
tantos acabaram no exílio, desprovidos de qualquer bem, outros foram reduzidos à
escravidão.

iwab silva disse...

Que beneficio trouxe ao simples a institucionalização da fé cristã ?quas nehum o unico pequeno limitado beneficio foi a liberdade de poder expressar sua fé em cristo sem perseguição é claro sobre uma condição se vc se submetese a liderança, estabecida por constantino, o que tiveram maior beneficio os que se beneficiaram foram os lideres simples que constantino os fez poderosos quando exautou a suas autoridades, qual foi o beneficio daqueles que quizeram ter uma fé livre de dominio?vejamosAs histórias sobre as conversões dos imperadores quase sempre são feitos
colossais. Constantino é aquele que adota o cristianismo como religião oficial do
Império. O mesmo imperador que mandou matar o próprio filho, a mulher, o sogro
e o cunhado. Reza a lenda que Jesus apareceu para ele e lhe prometeu vitória na
batalha em troca da adoção do cristianismo como única religião do "mundo
civilizado" e do uso do símbolo da cruz, alçado de forma triunfante na batalha.
Naturalmente, nem todos os seguidores de Jesus concordaram com esse pacto,
que implicava uma verdadeira renúncia aos valores cristãos fundamentais. E,
então, um dos primeiros gestos cristãos de Constantino foi perseguir todos os
cristãos que seguiam o Evangelho literalmente e, assim, forçosamente, estavam
em conflito com os devotos do poder. Um sem-número deles foi morto, outros
tantos acabaram no exílio, desprovidos de qualquer bem, outros foram reduzidos à
escravidão.:

iwab silva disse...

As histórias sobre as conversões dos imperadores quase sempre são feitos
colossais. Constantino é aquele que adota o cristianismo como religião oficial do
Império. O mesmo imperador que mandou matar o próprio filho, a mulher, o sogro
e o cunhado. Reza a lenda que Jesus apareceu para ele e lhe prometeu vitória na
batalha em troca da adoção do cristianismo como única religião do "mundo
civilizado" e do uso do símbolo da cruz, alçado de forma triunfante na batalha.
Naturalmente, nem todos os seguidores de Jesus concordaram com esse pacto,
que implicava uma verdadeira renúncia aos valores cristãos fundamentais. E,
então, um dos primeiros gestos cristãos de Constantino foi perseguir todos os
cristãos que seguiam o Evangelho literalmente e, assim, forçosamente, estavam
em conflito com os devotos do poder. Um sem-número deles foi morto, outros
tantos acabaram no exílio, desprovidos de qualquer bem, outros foram reduzidos à
escravidão.

iwab silva disse...

De fato realmente constantino legalizou o cristianismo agora constantino não tinha interese pelo cristianismo constantino tinha intereses politicos, a ideis de legalizar o cristianismo era simplesmente baseado na teoria é melhor ter o inimigo por perto ou ao seu lado, a fé cristã era uma ameaça ao imperio romano isso expressou o proprio imperador diocleciano, que foi o tutor de constantino, o cristianismo tinha crescido em grande escala que tinha se tornado uma ameaça para o imperio, constantino como historiadores dizem era um homem super ambicioso e tinha em mente sim ser unico imperador, de um imperio que era dominado pela tetrarquia, e em todos sua conquistas se demostrou muito desempenho sendo adimirado como um genio da política, o golpe da sua união ao cristianismo era estrategico ele não tinha tanto interese no cristianismo, mas os cristãos tinha crecido muito em quantidade, depois de certa vitoria em batalha prevista a Vitoria por lactancio, se uni ao cristianismo e o legalizar sua primeira tatica é exautar a autoridade dos bispos visando o dominio em massa ou seja ele dominava os bispos e os bispos dominava o povo cristão, e em nome de Deus promoveu grandes massacres aqueles que não se submetia a sua crença e religião ate mesmo gatos eram caçados, defender um ato desse de tirano que obrigava cristão a se submeterem a um clero que ele inventou e dominava for consuderado benefico pra fé cristã, so pode esta de brincadeira.