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sábado, 6 de dezembro de 2014

Por que houve tanta oposição ao Movimento Pentecostal no seu início?

Pioneiros do Avivamento da Rua Azuza.
William Seymour ao centro da foto.
Por Donald Gee

Bem pode causar surpresa que um reavivamento que parecia possuir tantas características bíblicas e sendo a resposta para tantas orações teve rapidamente se tornado objeto dos mais violentos ataques de algumas seções espirituais da cristandade e de vários líderes da Igreja Cristã. Os que eram menos incrédulos ou não ouviram nada sobre esse reavivamento ou o tratavam com desdém enquanto mantinham uma distância... É uma pergunta razoável saber sobre as causas dessa recusa ao pentecostalismo após esse lapso de anos, pois devemos ser capazes de trazer para o debate um julgamento imparcial e assim entendermos os motivos dessa oposição.

Várias explicações devem ser reconhecidas:

  1. Deve-se lembrar que, entre os elementos mais conservadores da Igreja Cristã (e estes constituiam a maior parte da cristandade), todos os movimentos de "reavivamento" eram olhados com desconfiança. Mesmo os movimentos anteriores de "Santidade" tinham sido rejeitados ou tratados com grande cautela. O Revival Welsh havia recebido inúmeras críticas em muitos lugares devido às suas cenas emocionais. Quanto mais, portanto, o novo Movimento Pentecostal, ou "Movimento de Línguas", como seus críticos e opositores logo começaram a chamá-lo”.
  2. Poucas personalidades notáveis foram conectadas com o Movimento Pentecostal em seu início e procurei em vão por qualquer nome proeminente que pode ter influenciado multidões entre as massas de membros da igreja e admiradores do púlpito. Isto, claro, não é nenhum argumento real onde a verdade está em julgamento. Na verdade, o mesmo foi dito de Nosso Senhor e seus Apóstolos e da igreja primitiva. A respeitabilidade, a riqueza, a aprendizagem e a influência vieram mais tarde para a Igreja e são não recursos necessários para o poder do Espírito Santo. Mas sua falta é suficientemente desanimador para aqueles cuja religião é muito mais uma questão de respeitabilidade social ou reputação religiosa, do que uma necessidade vital do coração.
  3. O medo foi inculcado por meio de relatórios truncados do que realmente acontecia nas reuniões pentecostais. A imprensa, naturalmente concentrada em qualquer coisa espetacular ou incomum, deu, para aqueles cujas impressões só foram obtidas através da leitura dos jornais, uma ideia muito distorcida dos fatos reais. Infelizmente, as agências religiosas que, sem reservas, se prestavam à oposição ao Movimento Pentecostal não perderam a oportunidade de explorar tudo o que poderia promover o medo ou aversão, passando aquilo que era louvável em silêncio. Entre os mais selecionados círculos de cristãos piedosos começou a existir muita conversa sobre "falsificações" e até houve quem amargamente condenava todo o Movimento Pentecostal como “satânico”, mesmo diante de tantos "frutos bons" como prova do contrário. O aviso genuíno e sincero quanto à possibilidade de engano era justificada e oportuna, mas em apenas pouquíssimos casos essas advertências vieram acompanhadas de um espírito amoroso e piedoso.
  4. Verdade, honestamente, devo admitir que houve cenas na primeira onda do novo entusiasmo espiritual e, também, algumas experiências que nenhum líder cristão respeitável agora procura defender ou desculpar. As emoções estavam profundamente excitadas onde houve uma reação contra a rigidez predominante e a formalidade da maioria das igrejas. Algumas pessoas eram vulneráveis e se sentiam atraídas para dentro da órbita de um movimento tão livre ao mesmo tempo que possuíam qualidades muito questionáveis. Lá estava, deixa eu francamente admitir, algumas cenas de fanatismo indiscutíveis. No início, havia poucos líderes com experiência suficiente dentro desse movimento que poderiam colocar sua mão sobre os extremistas sem medo de debelar o Espírito. Essa fase, no entanto, faz tempo que já passou. A maior parte o fanatismo do início do Movimento Pentecostal surgiu na sinceridade extrema e, também, no meio dos erros havia muitos corações corretos e, portanto, Deus pode constantemente trazer as coisas para uma condição mais saudável.
  5. Como o Movimento Pentecostal cresceu inevitavelmente afetando mais e mais membros das igrejas que eram nominalmente ligadas a várias denominações ou a movimentos espirituais anteriores, logo um confronto estava prestes a ocorrer onde o testemunho pessoal do pentecostalismo não foi recebido e, em muitos casos, o movimento foi fortemente contestado. Isto produziu a divisão e, geralmente forçados, levou aqueles que tinham recebido uma experiência pentecostal pessoal a finamente retirar-se, embora com grande relutância. Era natural que pastores e organizações que assim perderam alguns membros, entre os mais espirituais deles, ficaram amargamente contra o movimento que foi responsável pelo afastamento dessas pessoas. Também deve ser registrado com profundo pesar que os próprios pentecostais não foram sem culpa quando por diversas vezes utilizaram, tanto em privado e público, uma linguagem inadequada para descrever outras seções da Igreja Cristã donde saíram. Essa postura só tendeu a exasperar a oposição aos próprios pentecostais. Felizmente esta fase está agora mais distante.
  6. Por fim, parece haver uma lei a qual os alunos são obrigados a observar, que a última onda de avivamento espiritual na igreja quase sempre parece oferecer a maior oposição à nova onda de bênçãos que se aproxima e avança. Deve ser lembrado, e isso com profunda simpatia, que quando o ensino e o testemunho do Movimento Pentecostal veio a tona já havia um grande número de líderes cristãos que já alegavam ter sido batizado no Espírito Santo em conexão com movimentos anteriores de avivamento. Apenas uma pessoal com espírito gracioso e uma humildade incomum na mente poderia aceitar o novo padrão bíblico que, certamente, nem sempre foi estabelecida com sabedoria e delicadeza pelos pastores pentecostais. O testemunho pentecostal forneceu um desafio pessoal de natureza muito profunda. Onde não foi aceito o desafio de procurar, receber e manifestar no espírito, pelo menos algo da experiência cristã apostólica, logo a linha óbvia de desculpa e autodefesa foi repudiar e finalmente caluniar o  Movimento que a provocou. Por mais delicado que seja esse ponto, somos obrigados a reconhecer que aqui tocamos numa razão fundamental para grande parte da oposição.

A história do Movimento Pentecostal poderia ter sido muito diferente se a Igreja como um todo o tivesse recebido em seu seio sem demora. Mas a providência de Deus permitiu que de outra forma o movimento fosse obrigado a desenvolver-se como uma entidade separada.

Donald Gee (1891-1966) foi pastor, escritor, educador, conferencista, editor da revista Pentecost e ecumenista inglês. Por vários anos presidiu na vice-presidência o Concílio Geral das Assembleias de Deus no Reino Unido. Foi também autor de alguns livros com Acerca dos Dons Espirituais (Editora Vida), Pentecostes - mudado o título em 2000 para Como Receber o Batismo no Espírito Santo (CPAD), The Fruit od the Spirit (Gospel Publishing House) e Wind and Fire (Revival Library) .

Tradução e adaptação por Gutierres Siqueira do texto The Problem of Opposition to the Movement  do livro The Pentecostal Movement - A Short History And An Interpretation For British Readers escrito pelo próprio Gee em 1964. O livro também é conhecido pelo título original de Wind and Fire (Revival Library) .

2 comentários:

Anônimo disse...

Donald Gee foi um ecumenista inglês? Como assim? ecumenista???

Gutierres Siqueira disse...

Gee foi delegado do Conselho Mundial das Igrejas.