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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A glossolalia é apenas linguagem humana?


Observações:

  1. Este texto não é uma resposta ao vídeo do programa Dois Dedos de Teologia onde o Yago Martins e o Felipe Cruz defendem que a glossolalia é apenas uma linguagem humana [veja aqui]. Digo isso porque a posição exposta por eles é defendida até por alguns poucos pentecostais. O debate do texto passado já está encerrado. Este texto foi escrito para alguns esclarecimentos.
  2. Este texto também não é uma análise exaustiva das dezenas de textos que falam da glossolalia. É apenas a análise de um versículo (1 Coríntios 13.1), porém esse é um texto importante para o desenvolvimento de uma doutrina sobre a glossolalia.
  3. Uma análise mais ampla de outros versículos ficará para uma próxima oportunidade.
  4. Leia o artigo até o final, por favor, antes de qualquer comentário. Como o texto é longo recomendo a impressão. A versão em PDF pode ser lida neste link.

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, tenho-me tornado como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. [1 Coríntios 13.1 TB]

A glossolalia bíblica é apenas uma linguagem humana? Exegeticamente essa é uma questão difícil, especialmente diante do texto de 1 Coríntios 13.1 onde Paulo fala de uma  “língua dos anjos”. Ou seja, no fenômeno das línguas haveria algum idioma além do humano? Algum idioma angélico ou celestial? Ao contrário do que muitos pensam não há consenso entre os intérpretes pentecostais sobre esse assunto, embora a tendência da maioria seja aceitar a existência de uma linguagem além da humana no fenômeno da glossolalia. Ou seja, a glossolalia não é apenas xenolalia. Outros, entretanto, interpretam o texto como uma figura de linguagem onde Paulo apenas indicara “a alta consideração dos coríntios para com as línguas” [1]. 

O conceito de “línguas dos anjos” é biblicamente consistente? Por que essa é uma questão complexa? Vejamos alguns motivos: 1) É a uma única referência bíblica direta sobre o assunto. 2) Há diversas referências à “língua dos anjos” na literatura judaica antiga. 3) Entre os judeus daquela época havia um debate sobre qual seria a língua original do céu. Nesse embate um grupo afirmava o hebraico como a língua dos céus enquanto outros rabinos defendiam a ideia de uma “língua indecifrável e inacessível” ao homem.  3) A Igreja coríntia era composta por judeus e gentios. 4) Não é possível saber se a composição gentílica da igreja coríntia tinha acesso a essa tradição. 5) Também não é possível averiguar se a parte judaica da igreja teve acesso a algumas fontes tardias. 6) Gramaticalmente, a frase paulina é uma figura de linguagem chamada hipérbole, não há dúvidas quanto a isso, mas essa hipérbole seria sobre a anggelos glóssa em si, como oposição exagerada ao amor, ou sobre a possibilidade de Paulo em dominar todos os tipos de linguagem- o que também denotaria um exagero? A resposta a essa pergunta muda totalmente o sentido da interpretação.

Objeções gerais 

John MacArthur Jr. é o cessacionista predileto dos pentecostais. Não porque esse pastor batista- reformado-fundamentalista instigue questões complexas aos carismáticos, mas pelo contrário. Sobre essa questão, por exemplo, ele apresenta duas argumentações frágeis. No livro Strange Fire: The Danger of Offending the Holy Spirit with Counterfeit Worship [2], que deriva da conferência Strange Fire (Fogo Estranho), MacArthur indica que o assunto central do capítulo 13 não é o carisma, mas o amor, e por esse motivo a expressão “língua dos anjos” não pode ser tomada como uma prática de Paulo ou daquela igreja. Que argumento (!), hein? É óbvio que o assunto continua a ser sobre os dons espirituais. Paulo está apenas lembrando uma verdade inconveniente aos coríntios: O homem pode exercer os dons de maneira maravilhosa, mas caso não tenha amor isso não vale absolutamente nada. E mesmo que o assunto central não fosse os dons, mas o amor, isso em si não invalidaria a ideia que Paulo ou a igreja coríntia pudesse potencialmente praticar a “língua dos anjos”. 

MacArthur argumenta, também, que uma língua angelical fere o princípio de edificação de outros crentes, pois tornaria o uso do dom egoísta [3]. Com um argumento desses é até possível perguntar se MacArthur leu 1 Coríntios 14 com atenção devida. 1) Em primeiro lugar, a fala angelical, se aceita como literal, seria coparticipante com a xenolalia; e os princípios paulinos para a glossolalia angelical seriam os mesmos da xenolalia. 2) Em segundo lugar, é sempre possível que a língua seja interpretada e a comunidade seja edificada (1 Co 14.12, 13). 3) A língua pode, também, ser uma manifestação espiritual para edificação apenas do indivíduo (1 Co 14.4) e, nesse caso, deve ser usada de maneira moderada, ou seja, sem que a tonalidade da voz atrapalhe a adoração do outro e o culto da comunidade (1 Co 14.28) . E outra: não é porque Paulo combate o mal uso do dom que o dom não exista. Só se combate o mal uso daquilo que pode ser bem usado. 

O melhor argumento de MacArthur é: “Se alguém insiste em considerar literalmente a expressão ‘língua dos anjos’ é útil ter em conta que, cada vez que os anjos falavam na Bíblia, eles usaram a própria língua humana que era compreensível para aqueles que os escutavam” [4]. Essa certamente é uma das melhores objeções, mas tem um problema lógico: os anjos falavam essas línguas porque estavam manifestando relevações ou falavam tais línguas porque essas eram os seus próprios idiomas? Ora, a revelação não é necessariamente a reprodução da comunicação celestial. E outra: se os anjos falam uma linguagem humana então esses só saberiam o hebraico e o aramaico? Entretanto, qualquer que seja a possibilidade aventada implicaria numa alta dose de especulação. Porém, ao diferenciar língua humana de angelical Paulo parece descartar qualquer ideia de que anjos tenham uma língua igual a humana. Ceslas Spicq argumenta que “a construção de 1 Coríntios 13.1 implica numa crença na angeloglosia” [5].

Outra objeção muito usada entre cessacionistas é que a língua cessará (1 Co 13.8) e se essa fosse uma linguagem angelical ou celestial não haveria a indicação de um fim. O teólogo D. A. Carson chama esse argumento de “pedante” [6], e eu concordo com ele, pois o que o apóstolo Paulo indica é o fim do carisma e não da linguagem. Ou por algum motivo o conhecimento pleno não existirá no céu?

A “língua dos anjos” no judaísmo antigo

O conceito de uma língua angelical não é trivial no judaísmo antigo, pelo contrário, está presente em abundância na literatura daquela religião, especialmente em um período próximo à igreja primitiva com a seita judaica de Qumran e em outras literaturas tais como o Testamento de Jó 48-50, o Livro de Enoque Etíope 40, o Apocalipse de Sofonias, a Ascensão de Isaías 7.15-37, o Apocalipse de Abraão, Gênesis Rabbah e do Livro Copta da Ressurreição de Jesus Cristo atribuído a Bartolomeu. O teólogo pentecostal John C. Poirier, especialista em judaísmo, escreveu um livro detalhado apenas sobre essa questão. Na obra The Tongues of Angels: The Concept of Angelic Languages in Classical Jewish [7] ele mostra a abundância do debate entre judeus sobre a linguagem celestial e como esse embate se desenvolveu nos cinco primeiros séculos da Era Cristã. 

A mais significativa dessas referências é certamente o Testamento de Jó onde conta a história que as filhas de Jó falavam idiomas angelicais. A tradição rabínica também menciona o testemunho do rabino Yohanan ben Zakkai , um “homem piedoso que podia compreender a língua dos anjos” [8]. Todavia, a tradição mais abundante sobre essa relação angelical com a liturgia estava no Qumran. Havia naquela comunidade uma verdadeira obsessão pelo assunto. 

Assim, ao que parece, havia na cultura judaica um entendimento sobre línguas celestiais. Por exemplo, o ideal cúltico no Qumran estava numa adoração que contava com a participação celestial na liturgia. “Em um documento do Qumran diferentes anjos aparentemente lideravam a adoração celestial por sábados sucessivos em diferentes idiomas”, como informa Craig Keener [9]. Nos Cânticos do Sacrifício do Sábado “as ‘línguas de conhecimento’ são línguas dos anjos em louvor a Deus que [...] são comparadas com a linguagem humana descrita como ‘nossa língua no pó’”. Se for correto pensar em ‘língua’ aqui como idioma, então teríamos um raro testemunho de glossolalia angelical num texto palestino no primeiro século fora do Novo Testamento” [grifo meu], conforme escreveu  Jonas Machado [10]. 

Craig Kenner, por outro lado, lembra que, excetuando a Qumran, as demais fontes são um tanto tardias para uma influência significativa:

Os exemplos mais claros de falar em línguas angelicais nas fontes judaicas iniciais são Apocalipse de Sofonias e, provavelmente, mais cedo e mais importante no Testemunho de Jó 48-51. [...] Mais problemáticas, em contraste com os textos de Qumran, essas fontes podem ser tardias para uma suficiente influência entre os cristãos. Possivelmente alguns cristãos acreditavam que eles oravam em línguas como expressões angelicais. [11]

E como mostra Gordon D. Fee há evidências na carta indicando que coríntios se consideravam parte de uma espiritualidade angelical mais elevada, causando transtornos e orgulho:

Os coríntios parecem que se consideravam já como os anjos, portanto, verdadeiramente "espirituais", não necessitando de atividade sexual no presente (7. 1-7), nem de um corpo no futuro (15. 1-58). Assim, falando dialetos angelicais pelo Espírito, havia provas suficientes para eles de sua participação na “nova espiritualidade”, por esse motivo, havia um entusiasmo singular por esse dom. [12]

Outro ponto interessante para compreensão dessa linguagem angelical é a passagem de Apocalipse 14. 2,3 onde está escrito: “Ouvi um som do céu como o de muitas águas e de um forte trovão. Era como o de harpistas tocando suas harpas. Eles cantavam um cântico novo diante do trono, dos quatro seres viventes e dos anciãos. Ninguém podia aprender o cântico, a não ser os cento e quarenta e quatro mil que haviam sido comprados da terra” [NVI, grifo meu].  Esse cântico celestial é a expressão da “mais sublime adoração no céu” [13], assim sublinhando ainda mais a ideia de uma comunicação celestial além da humana e incompreensível em um primeiro momento. 

A questão hermenêutica

Qual é a natureza do texto de 1 Coríntios 13? E como isso afeta a interpretação? Como mostra Grant Osborne, esse texto paulino é um exemplo de literatura sapiencial no Novo Testamento [14]. O amor é louvado pelo apóstolo como a sabedoria era louvada em Provérbios. E nesse tipo de abordagem textual é muito comum o uso de figuras de linguagem como a hipérbole. A hipérbole é uma forma de intensificação do discurso que “nos reconduz ao coração da existência” [15], ou seja, o exagero não é para expressar uma irrealidade, mas para chamar a atenção a própria realidade. 

A figura de linguagem é um recurso comparativo. Nesse exemplo, o apóstolo Paulo compara o indivíduo (ele mesmo) que possui a capacidade divina de falar em línguas humanas e angelicais com outro (ele próprio) indivíduo com a capacidade para amar.

1ª Hipótese
2ª Hipótese
O apóstolo como praticante de toda linguagem sobrenatural possível sem o amor.
O apóstolo como praticante do amor, independente do carisma manifestado ou não manifestado.
Indicativo de uma espiritualidade incompleta.
É indicativo de uma verdadeira espiritualidade

Mas qual é o exagero usado como figura de linguagem? Não, não é a língua angelical em si. O exagero é a assertiva de que alguém pode dominar toda a linguagem angelical e humana. Tal glossolalista seria considerado o máximo da espiritualidade entre os coríntios. Paulo, ao usar tal figura, expressa uma verdade central no texto: o homem pode ter a melhor manifestação de eloquência sobrenatural possível, mas se não tiver amor nada é. O apóstolo fala de uma possibilidade não vantajosa, porém possível. E ainda diz mais: o exercício da glossolalia sem o amor é semelhante ao barulho do culto pagão: “uma característica do culto pagão, em especial do culto a Dionísio e Cibele, era o choque e o retinir dos címbalos e o som bronco das trombetas” [16].

É como se eu dissesse a um jovem empregado: “Você pode falar inglês, espanhol e até mandarim, mas sem um bom networking você jamais crescerá nesta empresa”. O recurso do exagero está presente, pois dificilmente o interlocutor daquela conversa domina os três idiomas, mas isso não quer dizer que não exista a possibilidade de dominá-los. É provável que alguém seja agraciado com línguas humanas e angelicais na glossolalia? Não, eis aí o recurso do exagero para exemplicar de maneira chocante, todavia, isso não quer dizer que a potencialidade de falar ambas as línguas inexista. O apóstolo fala por hipótese [17], e a hipótese não é sinônimo de impossibilidade, mas o contrário. Hipótese é possibilidade, chance e opção. 

E o que determina essa interpretação? O contexto. Paulo estava lidando com conceitos equivocados sobre a verdadeira espiritualidade e uma valorização excessiva do dom de línguas. Ora, porque o apóstolo Paulo tomaria de assalto a expressão “língua dos anjos” se essa não fosse considerada pelos primeiros destinatários da carta como uma possibilidade? Ou seja, uma figura de linguagem pode expressar uma ideia proposicional? Ou ainda, uma figura de linguagem pode expressar teologia? Evidente que a resposta é positiva. “O intérprete da Escritura não deve ignorar as figuras de linguagem, supondo que a linguagem figurada, diferentemente da linguagem proposicional, carece de conteúdo teológico”, como escreveram Andreas J. Kösterberger e Richard D. Patterson [18]. E  ainda: é necessário “interpretar literalmente as comparações, a não ser que haja fortes razões para interpretá-las figuradamente” [19]. Ou como escreveu Roy Zuck: “A linguagem figurada não é antítese da interpretação literal; é sua componente” [20]. Então dizer diante desse texto que: “ora, esse versículo é apenas uma figura de linguagem” e, assim, ignorar as implicações do mesmo, é um grande equívoco de interpretação. 

Conclusão

Há inúmeras referências na literatura judaica que atestam uma crença no primeiro século sobre “línguas angelicais”. Portanto, tomando esse contexto histórico não é inconsequente que um pentecostal tome esse texto para defender a ideia de uma glossolalia além da xenolalia. Além disso, a ideia que o texto seja uma hipérbole não justifica que a expressão usada pelo apóstolo Paulo seja mera fantasia retórica. 

Referências Bibliográficas:

[1] HORTON, Stanley M. I e II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 124.

[2] MaCARTHUR JR., John. Strange Fire: The Danger of Offending the Holy Spirit with Counterfeit Worship. 1 ed. Nashville: Thomas Nelson, 2013. p 147. 

[3] MaCARTHUR JR., John. Idem.

[4] MaCARTHUR JR., John. Idem. 

[5] SPICQ, Ceslaus. Agape in the New Testament, Vol. 2: Agape in the Epistles of St. Paul, the Acts of the Apostles and the Epistles of St. James, St. Peter, and St. Jude. 1 ed. St. Louis: Herder, 1965. p  135. 

[6] CARSON, Donald A. A Manifestação do Espírito: A contemporaneidade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2013. p 60. Esse é um argumento, por exemplo, usado em: BOOR, Werner de. Carta aos Coríntios: Comentário Esperança. 1 ed. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2004. p n/i.

[7] POIRIER, John C. The Tongues of Angels: The Concept of Angelic Languages in Classical Jewish. 1 ed. Tubingen: Mohr Siebeck, 2010. p 47.

[8] PALMA, Anthony D. 1 Coríntios. ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1021. 

[9] KEENER, Craig. Acts: An Exegetical Commentary : Volume 1: Introduction and 1:1-247. 1 ed. Grand Rapids: Baker Academic, 2012. pos. 36884.

[10] MACHADO, Jonas. Paulo, o visionário- Visões e revelações extáticas como paradigmas da religião paulina. Em: NOGUEIRA, Paulo Augusto de Souza (org.). Religião de Visionários - Apocalíptica e misticismo no cristianismo primitivo. 1 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005. p 186, 187. 

[11] KEENER, Craig. Idem.

[12] FEE, Gordon Donald. The First Epistle to the Corinthians. 2 ed. Grand Rapids: Eerdmans Publishing, 2014. p 690, 691. 

[13] OSBORNE, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2014. p 591.

[14] OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2009. p324.

[15] RICOEUR, Paul. A Hermenêutica Bíblica. 1 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006. p 197.

[16] BARCLAY, William. Comentário Al Nuevo Testamento: Corintios. 1 ed. Barcelona: Editorial CLIE, 1997. p 147.

[17] MORRIS, Leon. 1 Coríntios: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981. p 145. Simon Kistemaker reproduz uma paráfrase que indica esse sentido de hipótese: “Suponhamos que eu, como apóstolo do Senhor, tenha o mais alto dom possível de línguas, aquelas que os homens usam, e até mesmo aquelas que os anjos usam. Como vocês, coríntios, me admirariam, até me invejariam e desejariam ter um dom igual” [KISTEMAKER, Simon. 1 Coríntios. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004. p 627]. E a hipótese é confirmada a partir do momento que, como já dito, havia uma cultura judaica que conceituava uma linguagem angelical. 

[18] KÖSTENBERGER, Andreas J. e PATTERSON, Richard. Convite à Interpretação Bíblica: A Tríade Hermenêutica. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2015. p 624. 

[19] KÖSTENBERGER, Andreas J. e PATTERSON, Richard. Idem

[20] ZUCK, Roy B. A Interpretação Bíblica. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1994. p 172.

11 comentários:

Valderi Felizado da Silva disse...

Interessante a existência dentro da comunidade judaica a possibilidade da linguagem dos anjos, ou celestial. Isso explica o porquê Paulo repreender os corintios, já que esses gostaria de externar esse tipo de linguagem sem praticar o amor. Isso fecharia os dons na época do A.T. Lembramos que Daniel interpretou a linguagem escrita na parede na Babilônia. Em relação a figura de linguagem usada por Paulo, ou aceitamos que ele usou a hipérbole de ironia na "língua dos anjos" e também na "língua dos homens", ou não aceitamos o tom irônico usado pelo apóstolo nas duas possibilidades. Pois aí ficaremos naquele beco sem saída: Se é irônico falar em língua dos anjos, é também irônico falar nas línguas dos homens! Seria difícil saber todos os idiomas? Sim, mas nunca impossível.

Rogerio pinheiro disse...

um verdadeiro estudo com uma profundidade tremenda, muito bem colocado, parabens!!

Tadeu Costa disse...

Meus irmãos, com base em Atos 2, é mais fácil reconhecermos que as línguas faladas por um crente batizado no Espírito são idiomas humanos em vez de línguas dos anjos. Dizer isso não tira a sobrenaturalidade da experiência porque o tal fala idioma não aprendido. ou seja, a língua é natural, mas a fonte da manifestação é sobrenatural. Além de Atos 2, vários depoimentos de crentes ao longo da história revela que as línguas são idiomas da terra. Por exemplo: gunnar vingrem diz no seu diário que as línguas, seguidas de profecias sobre seu chamado missionário, foram faladas em português; Como ele soube? ele diz: "quando pisei em solo brasileiro, eu ouvi a mesma língua daquele irmão que profetizou pra mim lá nos EUA. Sem sombra de dúvidas, o crente quando fala em línguas fala idioma da terra, mas de forma sobrenatural.

Daladier Lima disse...

Minha argumentação principal é: se eram línguas de homens, por que nunca mais (não há registros) os discípulos foram usados nelas? Por que não há manuscritos (derivados dos autógrafos) em outras línguas que não grego, hebraico e aramaico?

De todo modo, seu texto abre uma excelente abordagem.

Abração!

Alexandre Benevides disse...

Parabéns pelas colocações , sou teólogo e pentecostal , com experiência pessoal sobre o dom de línguas.

Marlom Araujo disse...

Tadeu Costa, concordo que de forma sobrenatural, como dom do Espírito, também se falem línguas naturais humanas, mas em 1Co 14 tem uma diferença de Atos 2, não podemos ignorar isso.

Tadeu disse...

Quais discípulos? Em Atos 2, Lucas disse que eles falaram "noutras línguas conforme o Espírito concedia que falassem"; Ato contínuo, os espectadores do pentecostes disseram:"Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?
Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Asia,
E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,
Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus"; Fora os testemunhos de pessoas que ouviram alguém falar grego, hebraico, turco, etc. cujas línguas nunca aprenderam. Dizer que são línguas dos anjos é uma supervalorização desnecessária. Como posso eu falar um grego clássico sem nunca ter aprendido? o Espírito Santo dá!!!!É sobrenatural!!

Tadeu disse...

Em 1Co 14, as expressões "mistérios"
não significa que é "dos anjos"; É mistério por quem fala (o vaso!!kk) e pra quem ouve (exceto se houver interpretação). A interpretação de que é línguas humanas é favorecida também pelo texto de Paulo: "Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor". Esse texto se refere ao cativeiro de Judá promovido pelos caldeus e Paulo utiliza esse fato histórico para falar, entre outras coisas, que as línguas são um SINAL para os infiéis. Isto é, um descrente judeu por exemplo, entra num culto onde só têm crentes de fala grega. Aí, O Espírito usa um grego em língua hebraica. Eis o sinal!!!!

Lynecker Santos disse...

Tadeu, creio que esse não seja o ponto do texto, mas sim de mostrar que o termo "lingua dos anjos" está ligado ao fenômeno da glossolalia escrituristicamente falando (além da experiência pentecostal).

Anônimo disse...

Nossa...
Se esse é o melhor argumento para defender o dom se línguas sendo não humanas. Pra mim está difícil de acreditar :S
Mesmo querendo acreditar

Mas talvez eu possa pensar assim. Se o dom de línguas é usado para evangelização e necessariamente precisa de alguém para interpretar, então existe línguas não humanas. Já que se eu sou usado para levar o evangelho a um japonês, por exemplo, eu iria falar na língua dele. Então não precisaria de interprete, como acontece em Atos 2. Mas será que a tal interpretação, seria a interpretação do que o cara está falando para mim? Então isso seria muito necessário de vir com o dom de línguas.

Resumo, eu não sei bem o que pensar sobre o dom de línguas se referindo a línguas angelicais.

Fernando Alves disse...

O texto defende bem a possibilidade de existir a língua dos anjos. Também defende bem a possibilidade de se falar a mesma em uma manifestação espiritual. Mas o texto também concorda que Paulo usou uma hipérbole. Sei que o fato de ser uma hipérbole não elimina a possibilidade de que aconteça, mas convenhamos, todas as hipérboles do texto não é algo que acontece em toda padaria da esquina. São coisas difíceis de acontecer. O texto fala de coisas que, mesmo que venham a acontecer (sendo difícil), se não tiver amor, não é nada. Mas o que vemos hoje? Línguas estranhas falada a rodo em todas as esquinas como se fossem linguas dos anjos. Me pergunto, isso que vemos hoje, é a hipérbole demonstrada por Paulo? Essas línguas que mais parecem cópias decoradas de outros é o dom espiritual de 1 Cor 14?

1 Coríntios 14:21-22
“Pois está escrito na Lei: ‘Por meio de homens de outras línguas e por meio de lábios de estrangeiros falarei a este povo, mas, mesmo assim, eles não me ouvirão’, diz o Senhor.
Portanto, as línguas são um sinal para os descrentes, e não para os que crêem; a profecia, porém, é para os que crêem, e não para os descrentes.”

Me parece que a línguas falada acima é a mesma de Atos 2.

Não estou julgando a espiritualidade de meus irmãos, nem estou afirmando não ser de Deus, mas eu me questiono sim, acho que é meu dever cristão.

Desculpe minha sinceridade, espero não ter ofendido ninguém, mas não vejo muita coerência entre o que temos hoje e o que esta escrito.

Em Cristo