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domingo, 1 de fevereiro de 2015

“Precisamos pregar salvação”, diz o autopiedoso, mas qual “salvação”?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Um debate é uma troca de conhecimentos, uma discussão é uma troca de ignorâncias. [Robert Quillen, jornalista norte-americano]


Pelágio: um desafio para os assembleianos.
Nesse contexto o debate soteriológico é essencial. 
Há muita gente reclamando que o debate sobre o Calvinismo e o Arminianismo nas Assembleias de Deus é sem importância. O que dizer a essas pessoas? Ora, a soteriologia é a alma da teologia cristã. Se esse debate é sem importância, sinceramente, então eu não sei mais o que seria importante no fazer teológico. Talvez discutir o sexo dos anjos? Ou então o uso de bijuterias pelas irmãs? Ou o uso da guitarra na liturgia? Ou quem sabe sobre o uso do Orkut na evangelização mundial?

Alguns assembleianos refratários ao debate, numa autopiedade piegas, dizem: “precisamos pregar a salvação”! E aí eu pergunto: mas qual “salvação” cara pálida? Na Assembleia de Deus, como os dois entrevistados disseram muito bem, os púlpitos desde sempre nem são calvinistas e nem arminianos. O que domina os nossos púlpitos desde 1911 é o semipelagianismo. Ora, se esse debate for deixado de lado muitos continuarão a pregar salvação, mas uma salvação com base humana, ou seja, uma salvação antibíblica, herética e perniciosa. O teólogo Altair Germano, um assembleiano arminiano, escreveu:

A teologia da salvação no contexto atual assembleiano é arminianista clássica? Minha resposta, com base em publicações nos órgãos oficiais da denominação, ensinos, pregações e na falta de posicionamento oficial claro sobre a questão é "não". Vivenciamos um arminianismo não-clássico. Basta confrontar os cinco artigos da Remonstrância com a nossa perspectiva denominacional da doutrina da salvação que tudo fica evidente. Somos "basicamente" arminianos, mas não somos "plenamente" arminianos clássicos. [1]

Ora, como- em uma denominação dominada pelo discurso fácil do semipelagianismo- podemos desprezar esse debate tão importante? Só mesmo um suicida teológico para afirmar tamanha irresponsabilidade.  Queira Deus que os assembleianos encontrem no arminianismo clássico ou no calvinismo moderado o caminho para o combate à heresia pelagiana. É o debate é um processo de conhecimento.

Não, não estou dizendo que os pioneiros ensinaram o pelagianismo. Não, nada disso, muito pelo contrário. Estou dizendo que, infelizmente, esse discurso de que “você precisa dar um passo para Deus para que Ele dê outro a você” é majoritário no evangelicalismo brasileiro e, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, não escapa desse contexto. O Arminianismo e o Calvinismo, nas suas versões clássicas, poderiam ajudar na derrota dessa pregação semipelagiana. O debate aqui é sobre qual a melhor resposta ao semipelagianismo: mais calvinismo ou mais arminianismo? Aí há bons argumentos de ambos os lados. E vou deixar a minha opinião sobre essa questão específica para o próximo post.

Há debates ruins? Há, e muitos. Na verdade são discussões, ofensas pessoais e até desabafos. O que propomos aqui é um debate de cavalheiros e não uma discussão de baderneiros. Todavia, neste texto, faço uma convocação e repito: precisamos debater mais e deixar do mimimi característico dessa geração pós-moderna com preguiça de pensar. É tempo de debater!

Referência Bibliográfica:

[1] GERMANO, Altair. Sobre a Realidade Atual da Doutrina da Salvação no Contexto Denominacional Assembleiano e em Outros Contextos Evangélicos. Blog do Pastor Altair Germano. Recife, 2015. Acesso em 01/02/2015. Disponível em: http://www.altairgermano.net/2015/01/sobre-realidade-atual-da-doutrina-da.html

Leia mais:

Assembleiano e Calvinista Convicto: Uma Entrevista com Geremias do Couto. [Leia aqui]

Arminiano de Coração e Intelecto: uma Entrevista com Silas Daniel. [Leia aqui]

A Igreja Brasileira é Contaminada pela Praga Pelagiana. [Leia aqui]


10 comentários:

Jaime Junior disse...

Achei a sua colocação perfeita. Infelizmente, vemos muitos teólogos zombando dizendo que isso é perda de tempo e que devemos defender o evangelho. Mas qual evangelho? Com que interpretação? Muitos querem ficar em cima do muro e não se posicionarem. Que Deus lhe abençoe! Gostaria de saber a sua opinião sobre o assunto, mas vc já disse que vai falar no próximo post. Fico no aguardo!

Clóvis Gonçalves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clóvis Gonçalves disse...

Irmãos,

Mesmo não sendo assembleiano, considero aos pentecostais em salutar tal debate.

Como subsídio, recomendo o artigo Pentecostalismo e Calvinismo, alguma relação possível?, disponível aqui neste excelente blog.

Em Cristo,

Clóvis
PS. Comentário editado para corrigir link.

Fábio Stefani da Silva disse...

Precisamos pregar, viver e acreditar apenas na "Salvação Metanoica" (Conversão Genuína). Ou seja, aquele que não nascer de novo, de verdade mesmo, não pode ver o reino de Deus.

Creio que o que tem afetado demais a compreensão teológica sobre a salvação seja a necessidade de se admitir que qualquer um que ergue a mão, repete a oração do pastor e decide ser submergido seja, de fato, um salvo, sem que nada disso tenha sido fruto de uma verdadeira mudança interior.

Creio que nenhum desses sistemas podem garantir um índice maior de conversões genuínas. Uma falsa conversão pode se dar em qualquer um desses meios. Até na igreja do Sumo Pastor Jesus tínhamos um desses...

Então o grande detalhe é que um verdadeiro crente consegue conviver com qualquer um desses sistemas.

Como a verdadeira conversão se dá de dentro pra fora, qualquer tentativa de "conversão" de fora pra dentro é mentirosa.

E, a pessoa que realmente se converte, realmente se arrepende. E, para isso, ela precisa romper com essa visão de "eu nasci bonzinho, foi o mundo que me fez ficar malzinho".

Conheço pessoas que acham que mudou pouca coisa após fazerem parte da igreja; também conheço pessoas que "nasceram num berço cristão", mas não tiveram uma experiência do tipo "caminho de Damasco". Oro muito pela real conversão destes...

Parabéns ao blog por trazer essa discussão tão salutar para todos nós, sobretudo aos nobilíssimos irmãos da Assembleia de Deus, denominação a qual eu respeito muito.

Que Deus abençoe todo o seu povo!

Izabel disse...

Excelente contribuição do Clóvis Gonçalves ao colocar este link. Leio este blog já tem um tempo, mas não me lembro de ter lido este artigo em especial.
Ele é excelente contribuição aos três últimos post´s.

Quanto ao que falou o Fábio Stefani da Silva é precisamente o que penso. Intriga observar, que mesmo defendendo posições aparentemente tão contraditórias a vida daqueles que realmente são servos de Deus, seja calvinistas seja arminianos, é praticamente a mesma, ou seja, buscando viver em santidade de acordo com a Bíblia. Daí muitas pessoas afirmarem ser secundária esta discussão (não que eu pense totalmente deste modo), pois na prática da vida diária pouco muda para aqueles que verdadeiramente buscam servir a Deus, ou daqueles que comumente chamamos de convertidos.
É um tema que só Deus um dia poderá nos esclarecer, embora quando este dia chegar isto já não importará mais rs, pois a Bíblia dá bases suficientes para a defesa tanto de um quanto do outro ponto.

Erick Lima disse...

Perfeito Gutierres. O debate é pertinente, produz doutrina saudável.

Luiz Ricardo disse...

Nos pontos 1 e 2 este artigo apenas desconstrói e coloca em dúvida todas as conclusões científicas. Quase dá a entender que não se pode saber a verdade objetiva sobre as coisas.
Diferente do que o autor afirmou, o método científico nunca mudou, o que varia são as interpretações sobre os dados segundo a cosmovisão dos indivíduos.
Quando ao método não existe diferença entre a teologia e as demais ciências, pois ambas são baseadas no intelecto, na interpretação e na lógica.
Desconstruindo essas coisas eu poderia argumentar que, dadas as várias interpretações conflitantes sobre os textos bíblicos, nenhuma delas é válida e as próprias doutrinas seriam coisas passageiras.
Além disso, é quase ultrajante, mas demonstra pura ignorância, associar um argumento científico com liberalismo.
Veja, o liberalismo rejeita a Bíblia como autoridade.
O que o Yago fez, e é consistente com qualquer pessoas que tem alguma lógica, foi dizer que os crentes precisam ter uma resposta a um desafio da ciência e da observação pessoal.
Se um pregador diz que fez um paralítico andar e um médico mostrar exames de que o homem não tinha deficiência alguma, não podemos simplesmente aceitar isso "pela fé".
Lógico, alguém pode não concordar com a resposta do Yago que tenta conciliar a observação com a fé, porém você precisa dar uma resposta, afinal a Bíblia nos manda dar razão da fé.
Ora, se alguém afirma que está falando um idioma angelical ou humano e balbucia meras repetições, não é de se estranhar que seja questionado sobre isso.

Sobre o ponto 3, faltou o autor pesquisar ainda mais sobre a publicação de Motley e outras publicações que a contestam. Por exemplo: http://www.gmu.edu/org/lingclub/WP/texts/6_Heverly.pdf

Encontrar fonemas de outras linguagens em uma pequena parcela das falas não é nada estranho. Fonemas em espanhol são mais do que comum para os americanos. Também são comuns pessoas que estudam outros idiomas. Na verdade, dado que os Estados Unidos é um país onde ocorreram dezenas de imigrações, é mais fácil encontrar descendentes de árabes e orientais do que fonemas diferentes nas línguas estranhas. Além disso, o artigo citado acima demonstra que um dos fonemas diferentes veio de termo bíblico "laba sabachthani", que não é nativo do Inglês, porém comum entre os crentes.
Enfim, o ponto 3 não prova nada de nada, embora tenha que concordar que o estudo citado inicialmente pelo Yago também não prove nada definitivamente.
Neste ponto, o que posso afirmar com certeza é que toda a defesa das línguas estranhas são adianta de nada se as pessoas "comuns" das igrejas pentecostais que todos nós conhecemos continuarem a se enganar achando que repetir o tal do "labaxúrias" realmente vai ajudar a si ou a outros de alguma forma. A igreja pentecostal do Brasil está em grande decadência doutrinária e moral e precisa de muito mais do que línguas estranhas para não desviar-se completamente, se é que isso já não aconteceu.

Luiz Ricardo disse...


Com raras exceções, posso contar no dedo as pessoas de dentro da Igreja pentecostal que realmente tinham um estilo de vida piedoso por debaixo da casca religiosa.
Moro ao lado de uma AD do Ministério do Belém, a qual frequentei por alguns anos. Na época eu defendia ardentemente a teologia pentecostal clássica, porém como todos abraçaram a teologia da prosperidade e cultos de "vitória", hoje elas viram a cara quando vêem a mim ou minha esposa. E não pense que minha experiência foi limitada a essa congregação.
Além disso, ouvir alguém falar em Inglês, mesmo sem "formação" (como se isso significasse alguma coisa) não surpreende. Basta ouvir uma ou outra música na internet e repetir.
Aliás, há uma contradição nesse texto. Dizer que as pessoas falam línguas humanas durante a glossolalia é justamente no que acredita o Yago e outros cristão de linha reformada.
E tenha cuidado ao taxar as pessoas de cessacionistas, pois isso apenas demonstra o seu preconceito teológico. O próprio Yago deixou bem claro que não é o que ele defende.
O ponto é apenas dizer que as línguas do Novo Testamento eram línguas humanas, o que está bem alinhado com o exemplo citado neste artigo.

A conclusão #1 de que "a teologia não pode ser completamente dependente da ciência", embora seja verdadeira, não significa que a mesma deva ser contrária à lógica e à realidade objetiva.
A conclusão #3 é completamente questionável quando se trata de línguas não humanas. O que pode ser "provado" é que uma pessoa falou um idioma humano que não conhecia, porém, como já disso, isto está alinhado com a fé reformada, exceto da linha cessacionista do MacArthur.
A conclusão #7, só tenho a dizer que, enquanto o testemunho de vida dos crentes pentecostais (e agora pensando especificamente no Brasil) não se converter do egocentrismo para algo que seja digno do Nome de Cristo, dificilmente os crentes que procuram ser coerentes com a Palavra de Deus como um todo aceitarão tal testemunho.

Sobre o ponto #8, se a ciência é transitória, a Bíblia diz o mesmo das línguas. Chega a ser opressor, para não falar em algo ridículo, que na teologia pentecostal todo o crente posa e deva falar em línguas estranhas.
Isso é das coisas que mais me cheira estranha nessa coisa toda. É tanto "poder" para cá e para lá nos culto pentecostais e os vizinhos da igreja continuam escandalizados com os crentes, diáconos, presbíteros, pastores e seus filhos que são caloteiros, promíscuos, mentirosos e gananciosos.
Além disso, a própria teologia, enquanto ciência, é transitória. Deve ser por isso que os primeiros pentecostais eram tão avessos a ela. O problema é que mesmo as mais intensas experiências com línguas serão transitórias.
Somente o conhecer a Deus é algo que levaremos para a eternidade.

Finalmente, todos os argumentos deste artigo foram baseados em lógica e ciência. Ele é uma contradição em si. Se não se pode crer na ciência, pelo menos uma base bíblica decente precisa ser levantada, mas que seja conciliável com a experiência e a realidade. E estas nos dizem que 99,9% das línguas estranhas de hoje são falsas.

luiz fernando disse...

Bom meu caro amigo;
gostei do post e achei interessante, porem, nesta chamada pós-modernidade não podemos esperar muito das pessoas e crentes também, afinal, a bíblia deixa claro na questão dos últimos tempos: " homens cheios de si mesmo" ," avarentos" e etc.. (2 Timóteo Cap. 3).
Certa vez jesus disse, conforme descrito nos evangelhos, que "quem não é contra nós, é por nós". Paulo em uma de suas cartas diz, quando soube de casos de pessoas que pregavam o evangelho por interesse ou vangloria: " o importante é que o nome do senhor seja pregado".
Afinal pregar o evangelho é falar de salvação, como disse Paulo: " Se cristo não ressuscitasse, vã seria a nossa Fé"
levando em consideração essa passagem, o método usado para evangelizar, anunciar a salvação, claro que na prática e não academicamente falando, a questão de falar da salvação parte primeiro se creem que Jesus ressuscitou, depois anunciamos com nosso estilo de vida, como cristãos cheios do espirito santo.
no caso não importa o método e sim o real sentido. prefiro que preguem e pessoas seja alcançadas pelo evangelho de Cristo anunciado por cristãos salvos.

luiz fernando disse...

Bom meu caro amigo;
gostei do post e achei interessante, porem, nesta chamada pós-modernidade não podemos esperar muito das pessoas e crentes também, afinal, a bíblia deixa claro na questão dos últimos tempos: " homens cheios de si mesmo" ," avarentos" e etc.. (2 Timóteo Cap. 3).
Certa vez jesus disse, conforme descrito nos evangelhos, que "quem não é contra nós, é por nós". Paulo em uma de suas cartas diz, quando soube de casos de pessoas que pregavam o evangelho por interesse ou vangloria: " o importante é que o nome do senhor seja pregado".
Afinal pregar o evangelho é falar de salvação, como disse Paulo: " Se cristo não ressuscitasse, vã seria a nossa Fé"
levando em consideração essa passagem, o método usado para evangelizar, anunciar a salvação, claro que na prática e não academicamente falando, a questão de falar da salvação parte primeiro se creem que Jesus ressuscitou, depois anunciamos com nosso estilo de vida, como cristãos cheios do espirito santo.
no caso não importa o método e sim o real sentido. prefiro que preguem e pessoas seja alcançadas pelo evangelho de Cristo anunciado por cristãos salvos.