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sexta-feira, 6 de março de 2015

Teologia da Missão Integral: uma breve entrevista

"La caridad del Samaritano" de José Tapiro y Baro (1836-1913)
Por Gutierres Fernandes Siqueira

O portal Fast News Gospel mandou algumas perguntas para a mim a fim de compor uma matéria sobre a Teologia de Missão Integral (TMI). Como as matérias costumam aproveitar apenas parte das entrevistas eu aproveito para publicar a íntegra aqui. Segue as perguntas do portal e as minhas respostas.



A TMI (Teologia da Missão Integral) tem crescido muito. A que você acha que se deve esse fato?                                                  
         
A Teologia da Missão Integral (TMI) tem crescido porque na sociedade contemporânea há uma sede pelo conceito de “justiça social”. E isso é uma boa notícia, ainda que tal busca possa ser mal direcionada. Além disso, várias vertentes da teologia têm crescido no Brasil, logo porque o nível teológico deste país ainda é muito baixo.

Por que muitos conectam a TMI com o sistema marxista?

Muitos conectam marxismo com TMI por desconhecimento sobre a própria natureza do marxismo. O marxismo é uma proposta econômica e, em segundo lugar, todavia como eixo essencial, é política. A TMI é uma proposta de teologia que valoriza a política demasiadamente como modo humano de soluções coletivas, mas não é necessariamente marxista. O René Padilha, principal nome da TMI, é depende teórico do marxista Eduardo Galeano (isso está bem claro no livro “Missão Integral”, da Editora Ultimato), mas isso não torna a TMI necessariamente marxista, logo porque Padilha é apenas um dos expoentes.

Qual a grande diferença da TMI para a teologia da libertação? E a semelhança?

A Teologia da Libertação tem como método o marxismo. E a TMI não tem método, ou seja, não trouxe à teologia nenhuma novidade paradigmática. O conceito de “missão integral” é no fundo uma velha proposta da missiologia evangélica. A Teologia da Libertação, também, depende fortemente da Teologia Liberal, porém a TMI tem alguns nomes do conservadorismo evangelical.

 Muito tem se combatido esse pensamento teológico.  Por quê?

Há muitas motivações no combate à TMI. Alguns combatem porque não gostam de “novidades”, outros por desconhecimento e ainda outros porque conhecem e não gostaram do que viram. Eu, particularmente, não gosto como a TMI valoriza excessivamente a política e a coletividade como “meios de solução”. Nem tudo é política e nem tudo pode ser politizado. E aí não entenda política como programa partidário, mas como “administração pública”. Ou seja, nem tudo é coletivo. O indivíduo é a menor minoria que existe e essa não pode ser sufocada por excessos de coletivismo.

Se a mensagem da TMI é a do “Evangelho todo para o homem todo” qual é o grande problema?

O problema na TMI não é a proposta de universalidade e integralidade. Esse é o ponto alto dessa teologia. O problema, em minha opinião, é a dependência de conceitos como “progresso”, “utopia” e a politização do indivíduo pela coletividade. O Evangelho é necessariamente antiutópico. Não há espaço no Evangelho em soluções instantâneas para o mundo e nem de progresso continuado. O Evangelho tem um caráter cético sobre a política, mas não cínico e nem apolítico. 

Em Tiago 2.17 está escrito que a fé sem obras é morta. Não é a mesma mensagem levada pelos pastores adeptos da TMI?

A mensagem de Tiago é a mesma do Evangelho. A salvação é pela fé e as obras são frutos dessa fé. Tal bandeira não é exclusividade da TMI. É a mensagem cristã por excelência.

Um dos grandes nomes da TMI é o pastor Ed René Kivitz.  O que você acha da ligação dele com o universalismo e no que isso pode influenciar a mensagem levada através da TMI?

Sobre o referido pastor eu prefiro não emitir nenhuma opinião. Alguns o tomam como universalista baseados em pregações obscuras. Seria mais fácil analisá-lo baseado em algum texto, artigo acadêmico ou livro, mas até onde eu sei, ele não escreveu nada sobre o assunto.

5 comentários:

Daniel Gomes da Silva disse...

Gutierrez, você já viu esse vídeo? https://www.youtube.com/watch?v=PxjWh9AHiIs

Eu não concordo que a TMI use pressupostos marxistas. As razões estão no vídeo acima.

E apesar da teologia defender a politização, não acho que há excesso de coletivismo. A TMI defende sim a salvação individual, porém tenta buscar aspectos perdidos do coletivo que foram perdidos durante a história da Igreja.

Sei que não é o seu caso, mas muitos demonizam a TMI por ela falar de justiça social e da responsabilidade social da Igreja. Alguns direitistas paranóicos acham que isso é misturar Evangelho com socialismo. Logicamente, este não é o caso.

Abraços!

Ivan Regis disse...

Julio Severo é um pastor blogueiro que afirma que o TMI está ligada à Teologia da Libertação e ao Marxismo:

http://juliosevero.blogspot.com.br/2011/10/teologia-da-missao-integral.html

Aprendiz disse...

Gutierres

Discordo bastante. Ariovaldo é aderente da TMI e disse que a TMI é a versão protestante da TL (que é marxismo). Suponho que ele, vendo de dentro, saiba o que é.

Pessoalmente, eu penso que o único motivo para que o marxismo não seja "oficialmente" reconhecido como base para a TMI, é que é desnecessário e contraproducente. Se falassem mais abertamente que subordinaram a teologia ao marxismo, a resistência à ela seria menor. Em vez disso, colocaram essa teologia sob os pés da "política" genericamente falando. Mas na AL, a maioria dos intelectuais da área de humanas em geral, e dos estudos políticos em particular, trabalha com categorias marxistas. Então, indiretamente, a TMI põe a teologia sob a ótica do marxismo, e esse era o objetivo inicial.

Duo disse...

Sou membro da Ibab- Igreja Batista da água Branca onde o pastor é o Ed Rene Kivitz. Fui pentecostal boa parte da minha vida, cansado das patifarias e de fogo estranho, hoje sou membro da igreja onde o suposto pastor é universalista.

Quem conhece o Ed, sabe que ele não é universalista. Domingo dia 08 de março, ele pregou sobre o inferno e os que não herdaram o reino de Deus. Por ventura pode um universalista pregar desta forma?

A Ibab que tem o Missão Integral com teologia, não obriga seus membros ou pastores a serem adeptos a nenhuma corrente teológica. O próprio Ariovaldo Ramos que foi pastor auxiliar e calvinista. Ed, definitivamente não é universalista.

Pastor Bovolini disse...

Duo, Ed Rene é universalista! O inferno para ele é simplesmente a extinção da existência e não o que Jesus nos ensinou.