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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Gunnar Vingren incentivou “cultos” extravagantes?

Gunnar Vingren e a esposa Frida.
Por Gutierres Fernandes Siqueira

O chamado “reteté” é a adaptação brasileira da “Bênção de Toronto”. O movimento foi popularizado no final da década de 1990 e início dos anos 2000, especialmente pelo Congresso de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH) da Assembleia de Deus de Camburiú (SC). Consiste basicamente em movimentos estranhos com pessoas girando em torno de si, pulos descontrolados, glossolalia sem nenhuma tentativa de interpretação, barulhos semelhantes a animais e até sons e danças que lembram as celebrações do candomblé e os movimentos de êxtase do islamismo. O culto (?) basicamente é um conjunto de shows particulares. Não há exposição bíblica, a oração se torna um espetáculo e o pregador se comporta como a atração da noite.

Agora, há um ponto comum entre os adeptos do reteté e os cessacionistas- aqueles protestantes que descartam a operação carismática para os nossos dias.  Ambos usam episódios isolados da historiografia pentecostal para mostrar que nomes como William Seymour e Gunnar Vingren, por exemplo, eram adeptos de uma maneira bizarra de espiritualidade, ou seja, que ambos seriam precursores desses “movimentos de mover” contemporâneos. Todavia, isso é uma verdade? Será que Vingren se sentiria bem em um evento como o Congresso dos GMUH?

Não, não e não! E você sabe o motivo? Em nenhum momento essas ações divinas extraordinárias eram vistas como ordinárias. É verdade que Gunnar Vingren, por exemplo, relata uma experiência semelhante ao “riso no espírito”, mas Vingren não faz dessa experiência um padrão a ser imitado e nem incentivado. É bom lembrar que Sarah Pierpont, esposa do famoso teólogo Jonathan Edwards, foi vista pelo próprio esposo flutuando sobre a cama no quarto de oração. E, como todos já ouviram falar, durante as próprias reuniões de Edwards algumas pessoas caiam no chão relatando uma experiência profunda de arrependimento.

O que há em comum em todas essas experiências de avivamento? Edwards, Seymour, Vingren, todos eles, experimentaram nos cultos eventos até estranhos, mas em momento algum passaram a ensinar esses fenômenos como um padrão a ser seguido pela Igreja do Nosso Senhor. A historiografia assembleiana relata que Vingren se deparou em Criciúma (SC) com um grupo que incentivava experiências “espirituais” em forma de danças. Vingren escreveu:

Primeiro cantaram um hino. Depois todos tiraram os sapatos e se deitaram no chão num círculo. Depois que todos haviam orado, começaram a pular e a dançar durante mais ou menos meia hora. Depois se puseram de joelhos outra vez e oraram. Eu os exortei a que deixassem essa coisa de dançar, pois isso não está escrito no Novo Testamento, e era uma bobagem que eles deviam abandonar. [Mensageiro da Paz, Ano 79, Número 1.494 - Novembro de 2009].

Relato pessoal

Certa vez, em um culto esvaziado de uma quinta-feira, eu senti uma vontade intensa de chorar. Eu estava ajoelhado e com os olhos fechados enquanto o culto era encerrado com uma prece. De repente, sem mais nem menos, eu comecei a cantar em uma língua muita bonita, suave e numa sequência lógica de entonação e letra, pois parece até mesmo ter um coro. Eu sou um péssimo cantor, mas naquele momento havia afinação. A experiência, nem preciso dizer, foi incrível, um verdadeiro marco na minha vida e me levou a há maior temor a Deus e uma vontade intensa de buscá-lo.

Algumas semanas depois eu cai na tentação de tentar repeti-la (logo porque o que é bom sempre é desejado em doses maiores) e o fiz isso por duas ou três vezes. E nessas experiências eu tentava envolver toda a congregação. No dia seguinte à última espiritualização espetacularizada, uma irmã, muita sabiamente, foi me advertir que eu não deveria forçar aquela experiência e me mostrou como eu estava agindo por mera vaidade e que ainda eu estava constrangendo a congregação. Ou seja, o que começou bem já estava produzindo frutos ruins. A advertência dela foi um verdadeiro “tapa na cara” e fiquei triste e pensativo durante dias, mas aquele puxão de orelhas me serviu como uma preciosa lição: eu não deveria querer repetir experiências extraordinárias e ainda impô-las à congregação. A irmã que fez essa advertência não era teóloga nem professora de Escola Dominical, mas era uma assembleiana experiente. 


Assim como os grandes nomes do pentecostalismo do passado, eu aprendi com uma querida irmã a não espetacularizar e promover coletivamente uma experiência pessoal. Deus, de fato, opera de formas diversas em eventos milagrosos que servem para a edificação pessoal, mas o padrão litúrgico da Igreja Cristã já está escrito há quase dois mil anos no Novo Testamento.

8 comentários:

Diego t ferreira disse...

Sempre edifica-me ler seus artigos. Que Deus continue abençoando!

Kennedy Silveira disse...

Parabéns pelo artigo. Sempre edificando!!!

Kennedy Silveira disse...

Parabéns. Ótimo artigo, sempre me edificando!

Nando Jesus disse...

Teu relato pessoal foi a cereja do bolo. Parabéns!

João Emiliano Martins Neto disse...

O Pentecostalismo é um ultra-sentimentalismo subjetivista e individualista bem ao gosto protestante, bizarro, histérico e psicótico financiado com dinheiro do contribuinte auferido da politicanalha via bancada evangélica no Congresso Nacional, assembléias legislativas e câmaras municipais do Brasil.

Edu Marques disse...

Se já está descrita no NT o padrão litúrgico,porque não seguem a ordem que é descrita?
Pentecostalismo é um erro equivocado dentro da igreja.

Erivelton da Silva disse...

Não, não é. Não jugue pela aparência. Isto seria dizer o mesmo que, já que todos os homens pecam, então todos iriam por inferno. E, segundo a Bíblia, isso não é verdade. Muitos, e não só os pentecostais, erram, mas por desconhecer a Bíblia. Porem, não quer dizer que todos errem.

Anônimo disse...

E o que falar sobre o Catolicismo Romano?
Têm muitos, inclusive alguns pentecostais, que não sabem o que é de verdade o Pentecostalismo.
o Pentecostalismo é buscar a santidade para assim poder sentir a presença de Deus através do Espírito Santo. Desculpe-me, mas não é estar com um cigarro na boca. E muito menos é pular, rodar, gritar etc, mas sim está com a vida no altar. Pentecostalismo de verdade é estar mais perto de Deus.
Erivelton da Silva