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domingo, 27 de dezembro de 2015

Alguns cuidados no estudo da escatologia

O Último Julgamento –
Afresco na Capela Sistina por Michelangelo.
Por Gutierres Fernandes Siqueira

As igrejas que utilizam as Lições Bíblicas da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) vão estudar nesse primeiro semestre de 2016 a escatologia sob uma perspectiva pré-tribulacionista, conforme a Declaração de Fé da denominação. A escatologia é um assunto fascinante, mas normalmente envolve uma série de equívocos que devem ser evitados pelos professores. Vejamos: 

1.      Não sacralize uma escola escatológica. Embora cada crente tenha o direito e até o dever de defender sua perspectiva escatológica, é necessário cuidado com o sectarismo. O excesso de dogmatismo na escatologia é perigoso justamente porque estamos a tratar sobre o futuro do mundo e, ao mesmo tempo, estamos a lidar com textos de difícil interpretação- os chamados escritos apocalípticos. É comum, especialmente no meio assembleiano dispensacionalista, insinuar que algumas bandeiras amilenistas sejam “heréticas”. Ora, as diferenças das principais escolas de escatologia protestante não devem ser tratadas como pontos essenciais da fé cristã, mas como campos onde é possível cultivar a diversidade e respeitar a diferença.

2.     Cuidado com as versões populares da escatologia. O dispensacionalismo sofre em demasia com versões populares de sua teologia, especialmente propagada por pregadores de massa e livros de ficção da série Deixados Para Trás ou do mais recente filme O Apocalipse estrelado pelo ator Nicolas Cage (as pessoas esquecem que estão lidando com uma ficção e não um tratado teológico). É necessário cuidado, pois nem sempre essas versões honram os estudos mais sérios e cuidadosos de especialistas da escatologia pré-milenista.

3.     Escatologia não é “conhecimento secreto”. Escatologia não é um assunto fácil ou trivial, mas não pode ser tratado como uma espécie de gnosticismo futurista, onde apenas alguns iluminados conseguem entender o emaranhado de estratagemas. Não podemos perder a simplicidade do Credo quando diz que “Cristo voltará”.

4.  Escatologia precisa despertar a Igreja para implicações no presente. Escatologia não é só futuro. O Reino de Deus será um dia pleno, mas já precisa refletir no mundo pela presença ativa da Igreja do Nosso Senhor. 

Um comentário:

Ronaldo Corrêa disse...

Ótimas ponderações! Estranhamente úteis para iniciar o ano na EBD de forma saudável.
Pessoalmente eu recomendo a obra Deixados Para Trás a bons leitores, que gostem de boa ficção não anti-cristã. Já li todos os treze volumes da tradução em português, e de tão gostosa que é a leitura, terminei tudo em 28 dias!
Obviamente não é um tratado teológico, mas pelo fato do célebre escatologiata Tim LaHaye ser co-autor, e deixar bem claro no início da obra que a obra é a opinião PESSOAL dele de como se darão os fatos registrados no Apocalipse, vale muito a pena ler e sonhar com o futuro glorioso que nos espera, mesmo aqui na terra ainda, durante o milênio!