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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Uma experiência com a tradição!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor... [1 Coríntios 13.13]

Ontem na igreja tive uma maravilhosa experiência com a tradição. Isso mesmo: uma experiência especial com a tradição! No encerramento do culto o coral e a orquestra da igreja apresentaram o hino 535 da Harpa Cristã cujo título é “Tu és Fiel, Senhor”. Naquela hora lembrei que muitos irmãos já mortos cantaram aquela canção com alegria, enquanto outros estavam naquele momento cantando comigo. E, como uma poesia e música já consagradas, as futuras gerações também cantarão essa canção com o mesmo entusiasmo. Não tive como deixar a emoção de lado quando me toquei sobre a perenidade do louvor a Deus, ou seja, sobre a beleza da tradição: a fé que permanece viva dos homens que já morreram.


O louvor clássico está além do tempo. Ele une gerações que nunca tiveram contato direto entre si. Não é uma música descartável, feita na velocidade da moda, que logo perece diante das mudanças de humor. O louvor clássico é o mesmo que revitalizou seus avós, pais e que provavelmente emocionarão seus filhos e netos. O poder desses louvores não está apenas no talento dos seus compositores, mas acima de tudo na mensagem firmada e estável. É uma letra que nunca envelhece, logo porque sempre é urgente e necessária: é a mensagem sobre a nossa necessidade dEle.

A letra Great Is Thy Faithfulness escrita pelo pastor metodista Thomas Obadiah Chisholm (1866-1960) com a música do também ministro metodista William M. Runyan (1870–1957) foi populariza nas campanhas evangelísticas do reverendo Billy Graham e até hoje emociona a todos nós por proclamar a fidelidade de Deus diante das ruínas da vida. O hino é inspirado na poesia dramática de Lamentações de Jeremias. A letra é bíblica e transmite a nossa gratidão pela fidelidade do Senhor. 

A vida na tradição

Desde os profetas do Antigo Testamento até os apóstolos, passando pela pessoa de Cristo Jesus, a Bíblia condena fortemente o tradicionalismo. O tradicionalismo que é a fé morta de homens vivos. Todavia, diferente do tradicionalismo hermético, a tradição respira vida. A tradição não é a mera observação de coisas boas do passado idílico daqueles cristãos consagrados que ficaram para trás, mas é o pulsar constante do Espírito Santo que sopra como quer, onde quer e na hora que quer. Ou como escreveu Joseph Ratzinger:

A grande tradição cultural da fé possui uma força extraordinária que vale exatamente para o presente: aquilo que nos museus pode ser apenas testemunho do passado, admirado com nostalgia, na liturgia continua a tornar-se presente vivo. Mas o mesmo presente não está condenado à ausência de palavras na fé.[1]

Portanto, não conhecemos a nostalgia, mesmo com canções clássicas e a liturgia antiga, mas experimentamos a vivacidade do Espírito Santo nas coisas comuns e corriqueiras da liturgia. Ao ponto que a inspiração também não ficou apenas no passado distante, mas está no presente sempre.  


[1] RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. 1 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2013. p 130. 

2 comentários:

César Lopes disse...

Aleluia!

José Cesar disse...

Muito bom o artigo, blog esta de parabéns.