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segunda-feira, 11 de abril de 2016

A idealização do passado como revelação do presente

Por Gutierres Fernandes Siqueira

No meio reformado há uma constante busca referencial do puritanismo como exemplo de piedade, fervor espiritual e compromisso com a santidade. Outros grupos protestantes, especialmente os luteranos evangelicais, fazem a mesma investida conceitual com o pietismo. Agora, pensando nos diversos grupos cristãos do século XXI, qual segue mais diligentemente essa tradição espiritualista senão o pentecostalismo? Por qual motivo os grupos neopuritanos do meio reformado ojerizam o pentecostalismo como a gênese da heresia e do próprio humanismo?

É sempre mais fácil buscar referências daquilo que nos falta em cadeias históricas; longevas e distantes. Sim, a distância normalmente é confortável. Não precisamos prestar contas no dia a dia das idiossincrasias dos nossos pares, nem suportar os seus pecados e nem admitir a complexidade e pecaminosidade da natureza humana a cada momento. Assim, o neoreformado neopuritano tem horror e até nojo quando ouve falar do pentecostalismo, mas ao mesmo tempo ele quer lutar contra a frieza do racionalismo e a incredulidade do modernismo ressuscitando aqueles que já estão sob a terra há três séculos. Enquanto isso, o neopuritano despreza aquele que pode ser o seu maior aliado na resistência à filosofia moderna do tempo presente transvertida de linguagem religiosa das diversas modalidades de liberalismo teológico.

O pentecostalismo é uma fé antimoderna por natureza. Não há espaço para a incredulidade naquele que crê na constância do milagre. Não há como ser deísta entre aqueles que sempre esperam a intervenção divina. A crença na providência evita no meio carismático qualquer namoro com o Iluminismo. Todavia, parte dos ditos reformados preferem atacar tal grupo como uma peste do Egito enquanto idealizam os antigos puritanos.

Vamos lidar com o real e a não com a idealismo, meus caros. Certo? Não estou dizendo que devemos desprezar os referenciais do passado, mas depender apenas deles enquanto se despreza o povo de Deus no presente não é nada sábio.

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