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domingo, 15 de maio de 2016

Eco da sedução do antigo Jardim do Éden

Jardim do Éden por Wenzel Peter (1745-1829)
Por Sara Alice Cavalcanti

“Homem de Deus, há morte na panela!” Esse grito de alerta registrado nas Escrituras, por incrível que pareça, é tão atual e pertinente, quando analisamos o pão, que tem sido repartido a partir de muitos púlpitos evangélicos brasileiros, ainda com fortes resquícios da teologia que invadiu de maneira insidiosa o cristianismo nas últimas décadas. A capa de colocíntidas parece estar agarrada às folhas de muitos sermões e às aulas de seminários e de Escola Dominical. Nossa própria linguagem revela-se impregnada de termos que bem denunciam a presença contaminadora do desvio doutrinário. Ainda que trabalhos de reconhecida importância tenham sido publicados alertando quanto ao perigo da chamada Teologia da Prosperidade, sempre convém lançar alguns grãos a mais de farinha – e cremos que muitos ainda serão necessários – até que o veneno seja dissipado. Filha da Pós-modernidade, sem a preocupação de esconder a origem, a Teologia da Prosperidade avançou rapidamente com suas afirmativas de que: pobreza é pecado, de que o pobre está debaixo de maldição, assim como aquele que se acha enfermo; Deus nos quer fazer a todos ricos nessa Terra; o homem possui o direito de gozar uma vida terrena de pleno sucesso e o fato de ser cristão lhe outorga o direito de requerer tais coisas a Deus, sob o risco (para quem?) de que sua fé Nele seja posta em dúvida.

1. Proposições afirmadas pelos pregadores da Teologia da Prosperidade

Para quebrar toda e qualquer resistência a essa seqüência de inverdades, seus pregadores costumam iniciar suas prédicas advertindo os ouvintes de que:

a) Estão debaixo de uma poderosa, nova e infalível revelação, normalmente citando algum encontro especial, seja por visão, arrebatamento, sonho ou com o próprio Senhor;
b) Advertindo sobre o perigo de não receber a palavra pregada como vinda da parte de Deus – muitas vezes exortando o público a não cometer pecado contra o “Espírito de Deus”;
c) Alertando quanto à “ação do Diabo”, que começará a por dúvidas acerca da pregação;
d) Pedindo que se rejeite a “religiosidade” e se aceite o “novo de Deus”;
e) Diante de qualquer resistência, assumem uma postura superior, como se a profundidade da revelação fosse apenas privilégio de certos “iniciados”;
f) Concentrando toda a responsabilidade pelo fluir ou não da manifestação espiritual almejada na falta de fé dos ouvintes. Não é preciso dizer que gerou um imenso número de ovelhas feridas, decepcionadas com Deus, consigo mesmas, com seus pastores, iludidas por promessas, presas às dívidas – contraídas em irresponsáveis “atos de fé” – e que se vêem sem respostas para seus problemas, enquanto alguns encontraram, nesse caminho, o meio de seu enriquecimento pessoal. Vale lembrar que o Senhor da Seara a tudo observa e que, um dia, todos nós prestaremos contas de nossa administração. É com este temor, além do zelo por aqueles que nos foram confiados como discípulos e do amor que arde em nossos corações e que nos faz clamar diária e constantemente: “Livra-me de errar!”, “Livra-me de pecar contra Tua Palavra!”, “Livra-me de pregar outro evangelho!”, que nos detemos mais uma vez para meditar sobre os perigos desse nada novo desvio.

2. Antigas Raízes.

Para a sociedade industrializada, repleta de bens de consumo e vazia de ideais, faltou, num determinado momento, uma teologia que justificasse, no coração do crente, o atirar-se ao meio competitivo em que vivia, sem que isso lhe gerasse conflitos interiores. Era necessário trazer novos valores e, para que fossem aceitos, revesti-los de biblicidade. A resposta foi uma teologia que coloca palavras de estímulo à posse nos lábios “do próprio Deus”. Junte-se a isso que tal conselho era o que o homem queria ouvir. Embora atrelada em sua manifestação à era Pós-moderna, na qual encontrou o pluralismo, o relativismo, a mentalidade empresarial, podemos dizer que as raízes dessa teologia são mais distantes no tempo. A concupiscência dos olhos, estimulada pela sedução satânica, abriu a porta do caminho à cobiça já no Éden. Enquanto a indução sussurrava dúvidas à Palavra de Deus e às suas intenções, os olhos de Eva se enchiam antecipadamente do prazer de possuir. “…cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15); “Cobiçais e nada tendes” (Tg 4.2). Nada ter é, paradoxalmente, o ganho daqueles que investem sua vida em construir celeiros para amealhar bens materiais. O convite ao desvio, ainda que atribuído a Deus, nada mais é do que um eco da sedução no antigo Jardim.

3. Perigos da Teologia da Prosperidade

3.1. No propósito de sua existência (Ter versus Ser)

Quando se esquece de sua gloriosa criação, o homem fica preso à civilização do espaço em que vive, e onde o poder material triunfa. A civilização do espaço subsiste por seus monumentos, por aquilo que se vê. Nisso está a glória de seus participantes. Desejosos de manipular e de construir um nome, fazem dos objetos seu maior objetivo. Esquecem-se de que a tudo o que fez o Senhor chamou de bom, mas a um só, ao homem, deu domínio sobre as coisas criadas (Gn 1.26).

3.2. No alto preço a pagar (Meios versus Fins)

Para possuir é preciso alcançar. Os métodos utilizados para isso acabam por ferir a ética cristã, uma vez que a cobiça acaba por minar resistências morais. O homem, então, não se importa em mentir, roubar ou jogar. “A bênção”, aparentemente, não está mais em ganhar o pão com o suor do trabalho honrado, mas em “se dar bem”, não importa por quais meios. Quantos casais têm abdicado de oficializar sua união junto ao altar por não abrirem mão de alguma pensão ou pecúlio? Quantos resistem às exortações contra os jogos de azar? Quantos criticam o ensinamento bíblico dos dízimos e ofertas ou utilizam-se da prática como barganha para com Deus? Que dizer dos altos preços de algumas “participações” em cultos? Nesses e noutros terríveis exemplos algo de muito mais valioso que o dinheiro foi perdido – a aprovação divina. Alguns, no desejo de obter riquezas, votaram ao Senhor que, se os abençoasse, investiriam na obra missionária. Muitos prosperaram financeiramente, mas nem todos retornaram com as mãos cheias de gratidão. Ninguém precisa possuir muito para dar muito. Duas moedas podem ser uma riqueza incomensurável. “Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.23).

3.3. Na relação com Deus (Senhorio versus Serviço)

A experiência do filho pródigo, antes um ávido possuidor, depois um humilde servo, deveria tocar os defensores da Teologia da Prosperidade. Servir a Deus é um privilégio a nós concedido. Ele é Senhor e o único Deus. A fina ironia expressa no Salmo 82 tem sido, muitas vezes, interpretada como uma declaração da divindade do homem. Era a postura do pródigo antes de sua conversão: cheio de si, requerente, determinista. Ao pai cabia, segundo sua visão, o dever de atender suas petições. Afinal, era filho. Filhos e herdeiros, devido ao sacrifício do Filho de Deus, que assumiu a “forma de servo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.8), temos a consciência de que é mister servi-lo, pois Ele é Digno. Não há, em Deus, obrigação de atender nossas petições, embora o faça por sua graça e misericórdia. Determinar a Deus que faça, impor-lhe respostas e prazos assemelha-se mais à postura da criança mimada ao bater os pés e a fazer muxoxos. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3). Ao longo da caminhada cristã, quantas vezes glorificamos a Deus por não ter atendido a uma determinada oração? E quantas vezes fomos agraciados por respostas muito além de nossas expectativas? Portanto, longe de ser um gesto de incredulidade, acrescentar um se em algumas de nossas orações é uma rendição ao Soberano, reconhecendo que, embora fazendo a Ele conhecidas todas as nossas petições, somente Ele sabe o que é melhor para nós.

Assim, oraremos por curas que se realizarão e por outras que o Senhor não fará realizar. Alguns idosos de muitos dias serão levantados dos leitos e crianças de poucos dias, por vezes, morrerão. Não nos foi dado especular, mas orar com fé, sabendo que nenhuma oração a Deus volta vazia, mas que algo superior está sendo efetuado mesmo antes de nós pedirmos. É preciso resgatar a postura de entrega humilde que o pródigo conseguiu conquistar: “Faze-me como um de teus trabalhadores!” (Lc 15.11-32).

3.4. Na relação com o próximo (Possuir versus Partilhar)

Um dos mais terríveis danos da Teologia da Prosperidade está em que minou de muitos filhos de Deus a bênção de partilhar, não apenas seus bens materiais, mas suas alegrias e dores. “Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos” (Rm 12.15-16). A orientação bíblica foi trocada, em muitas vidas, por uma postura de acusação ao próximo. Assim, se o irmão está doente é porque pecou. Se estiver em dificuldade é porque não tem fé. Se seu carro foi roubado é porque há algo de errado em sua vida. Se um casal gerou um filho portador de alguma deficiência, logo está debaixo de maldição. Arrazoando, buscando causas ocultas, perderam aquela sensibilidade de achegar-se ao ir-mão, dividir um sentimento e emprestar a voz em concordância às suas petições. Em alguns ministérios, pessoas que estejam passando por problemas de saúde são impedidas de orar pela cura de outra pessoa, entendendo-se que está sob peso espiritual. Quedemo-nos a pensar no Senhor ferido na cruz, com seu lado traspassado, jazendo, e, naquele instante, estendendo seu poder curador a todos nós. Também lembremos de que somos chamados a consolar os outros com as mesmas consolações com que temos sido consolados. Em lugar de pensar no irmão enfermo como alguém sob um jugo, que tal pensá-lo como estando debaixo de tremenda unção fortalecedora, consoladora e, Deus sabe, curadora? Também quanto aos bens materiais, não sei se houve, em outra época da história da Igreja, igual quantidade de carros, casas, sítios, etc, declarados “consagrados”. Parece que trocamos o simples gesto de consagrar a vida, entendendo que, conseqüentemente, todo o restante estaria consagrado, e passamos a fazer uma “consagração por parcelas”. Porém, quando o mesmo carro se torna necessário para conduzir uma irmã grávida, acompanhada de seus filhos, de volta para casa depois do culto, num dia de chuva, por vezes, a consagração é esquecida.

4. Perigos para a Igreja

4.1. No centro de sua mensagem (Homem versus Cristo)

Nossa mensagem é cristocêntrica. Tudo o que se distanciar disso também está distanciado da Bíblia e precisa retornar ao alvo original. A mensagem da Teologia da Prosperidade é humanista. Seu centro é o desejo do coração do homem, esteja ele controlado ou não por Deus. O teólogo Ricardo Gondin declarou: “Hoje, por mais que se prometa que Deus resolverá todos os problemas e que as pessoas alcançarão a autêntica felicidade, as multidões permanecem passivas diante da pregação do Evangelho. Por quê? Usamos os métodos errados?… Por que os métodos evangelísticos usados hoje não têm a força das cruzadas de Charles Finney? Qual o segredo de John Wesley que evitou na Inglaterra um derramamento de sangue semelhante ao da Revolução Francesa?” A resposta não está nos métodos, segundo esse autor conclui, mas na mensagem. Não fomos chamados para apregoar que todos os homens devem vir a Jesus para receber saúde, dinheiro, casa própria, casamento… Somos testemunhas da morte e ressurreição de Cristo. Pregamos o arrependimento dos pecados, o perdão e a reconciliação com Deus mediante o sangue de Jesus. Anunciamos a Vida Eterna. Convidamos a uma vida de separação e serviço. Nossa mensagem não é moderna ou pós-moderna. Mas é infalível e eterna. A pregação da prosperidade pode ser desejada por pessoas de países com grandes dificuldades financeiras, mas desprezada por países com boa infra-estrutura na área da saúde, moradia e educação, embora em muitos deles seja uma maneira de supremacia econômica sobre os outros. O Evangelho é a necessidade do homem em qualquer tempo, condição e lugar. O problema primordial do homem é o pecado. Certa senhora buscou auxílio em uma igreja para a cura de uma terrível ferida em sua perna, que a afligia há anos. Uma irmã, comovida com aquele terrível sofrimento orou. Pelo poder de Deus, a senhora foi imediatamente curada, podendo ser visto o fechamento da ferida e a restauração do tecido atingido. Alegres, a irmã e suas companheiras de oração convidaram aquela senhora a uma entrega a Jesus. A resposta foi negativa. Perguntada se sabia quem lhe havia curado, se estava claro que o poder emanara do Senhor e que Ele, amorosamente, a convidava a receber algo muito mais precioso, a resposta continuou a mesma: “Sei quem me curou. Mas não o quero…” Não podemos perder de vista que há uma chaga maior e mais terrível do que a que podemos ver – a chaga do pecado na alma, para a qual somente Jesus tem a cura. “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados” (Lc 5.20). 5.2. Em sua missão (Monumento versus Templos para Deus). É com alegria que vemos um belo edifício, construído para que ali se reúna o povo de Deus. É reconfortante ver o resultado do esforço de irmãos dedicados que, com seus dízimos e ofertas estão procurando fazer o melhor pela obra. Sabemos, porém, que uma bem arquitetada construção não é o objetivo primordial da Igreja. Cabe a nós o cumprimento da Grande Comissão e, para tal, não podemos poupar recursos. Num estabelecimento de prioridades, o luxo, a suntuosidade, enfim, a já citada aparência, que a sociedade do espaço persegue, não podem falar mais alto que os campos já brancos para a ceifa. Esse é outro e gravíssimo resultado da Teologia da Prosperidade. Não apenas pessoas estão buscando o proveito próprio, mas igrejas deixaram as indicações prioritárias do Reino, trocando-as por um fazer incessante em “Jerusalém” e reservando para a “Judéia”, Samaria e os confins da Terra’ apenas as sobras, quando existem. Talvez não possamos mensurar o abalo que a Teologia da Prosperidade causou, nestes últimos anos, nos campos missionários. Ocupados em realizações monumentais, denominações deixaram de enviar obreiros aos campos ou os fizeram retornar. Outras, ainda, é custoso admitir, deixaram de corresponder às expectativas daqueles que um dia enviaram. Perderam a cosmovisão, trocaram-na por outra, tacanha e fragmentada – pós-moderna. Pode-se compreender que, eventualmente, falte aos cofres da igreja o necessário para a compra de Bíblias. O que é difícil de ser entendido é que se gaste tanto em granitos ou acrílicos que não sobre o suficiente para uma caixa de folhetos para a evangelização. Cada homem que se rende aos pés da cruz é um templo amado de Deus e lugar, por ele escolhido, para sua habitação. É a planta que lhe é mais confortável, a que lhe dá a mais ter-na satisfação. Se nos deixamos envaidecer por grandes estruturas, corremos o risco de deter o melhor em vidas humanas para sua manutenção. Dessa forma, em lugar do melhor ser entregue para o campo, é mantido para fazer funcionar a obra local. Entendendo que a regra é: “dai e ser-vos-á dado”, o que também se aplica a recursos humanos.

5.3) Em sua estrutura (Organização versus Organismo)

Surge uma lógica corporativa na qual busca-se a produtividade; focalizam-se os sistemas de organização em detrimento da comunidade. Assim, instala-se uma filosofia fabril para substituir o investimento em vidas, onde a lógica é a da competição e não a da compaixão; os números, o dinheiro e a lucratividade sobrepujam a nutrição de vidas com a Palavra de Deus”. Competência, visão empresarial, lucro, são palavras que rondam reuniões ministeriais influenciadas pelos novos ventos. Jesus passou à condição de mercadoria e as ovelhas à condição de clientes. O mundo, como clientela em potencial, precisa ser atraído por superproduções que em nada devem ficar devendo aos chamados shows. ü Igreja – corpo ou empresa. Todos perdem em conseqüência da falta de visão de corpo. Um organismo vivo, organizado, afetivo, moral, onde cada um é importante para a edificação do outro. Igreja-corpo se, por um lado, requer trabalho e atenção, também retribui seus obreiros e membros, que crescem juntamente. A igreja-empresa apenas exaure. Os obreiros se dão à exaustão para depois serem repelidos por conta de sua “baixa produtividade”. Mesmo aos entusiastas da Teologia da Prosperidade está reservado dias difíceis, quando não estiver mais dando o retorno esperado, quando não der mais “ibope”. “…vós sois Corpo de Cristo…” (1 Co 12.27).

5.4. Em sua postura profética (O que o homem quer ouvir versus o que Deus quer falar)

A Igreja não pode perder, jamais, a condição de ser instrumento para a proclamação da vontade de Deus na Terra. Sua mensagem, caríssima, não foi dada como objeto de compra e venda ao mercado. Nem sempre ela atende àquilo que o homem quer ouvir, mas ao que o Senhor faz proclamar, por seu terno amor ao homem que criou. Falsas bênçãos são, em algumas ocasiões, “ofertadas” às igrejas em troca da divulgação de nomes com propósitos políticos ou comerciais. Nesses momentos, o preço do sangue deve clamar mais alto, fazendo outras dádivas parecerem pequenas. A obra do Senhor tem sido feita por pessoas humildes e fiéis, aqueles de quem fala a Palavra: “Vi os servos a cavalo, e os príncipes andando a pé como servos sobre a terra” (Ec 10.7). Preguiça (Pv 6.6-11), inveja (Sl 85.68), avareza (Pv 28.22), extravagâncias e vícios (Pv 20.13; 23.21), apostasia, catástrofes naturais, injustiças sociais, podem estar entre as causas da pobreza. Mas há um fator supremo que foge à compreensão do homem. É Deus quem empobrece. É Deus quem enriquece. Mesmo a distribuição dos talentos na parábola não foi equânime. Não terá correspondido à capacidade administrativa de cada um? A Palavra nos ensina que os pobres sempre estarão entre nós. Ela também nos orienta sobre a melhor maneira de administrar os recursos e estimula-nos a dar socorro aos necessitados. Mesmo um simples copo d’água oferecido é segurança de recompensa nos céus. Pastor Isaltino Coelho Filho declarou, em conferência: “Dinheiro não enche a alma de significado”. É um recurso que usamos para executar, na Terra, nossa verdadeira missão. Não é um fim em si mesmo, e os que dele fazem senhor, encontram em Mamon um ídolo tirano e cruel. As adorações – ao Deus vivo e a Mamon – são mutuamente excludentes. Alguém que pensa estar prestando um duplo serviço se engana e acorrenta sua alma com algemas eternas (1 Tm 6.7-8). A simplicidade das pombas e a prudência das serpentes são uma forma segura de caminhar nestes dias de fartura de pão, mas também de parras bravas e até de colocíntidas. “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão, e próspera ociosidade teve ela e suas filhas: mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado” (Ez 16.49).

Bibliografia

A BÍBLIA ANOTADA. Versão Almeida, Revista e Atualizada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

GONDIM, Ricardo. Fim de Milênio: Os perigos e Desafios da pós-Modernidade na Igreja. 1 ed. São Paulo: Abba, 1996.

ALMEIDA, Abraão de. Teologia Contemporânea – A influência das correntes teológicas e filosóficas na Igreja. 2 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

SPROUL, R. C. Filosofia para Iniciantes. 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 2002.

COELHO FILHO, I. A pós-modernidade, um desafio à pregação do evangelho. Conferência apresentada aos pastores do Sul de Minas Gerais. www. ejesus.com.br. Arquivo 2929, 2002.

HESCHEL, A. O Shabat – seu significado para o homem moderno. 1 ed. São Paulo: Perspectiva S.A., 2000.

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Sara Alice Cavalcanti é mestre em Letras pela UERJ, professora de Hebraico e Literatura Hebraica na Faculdade Evangélica de Ciências e Tecnologia das Assembleias de Deus (FAECAD), colunista do jornal Mensageiro da Paz e membro da Assembleia de Deus em Bonsucesso (RJ). Artigo originalmente publicado na Revista OBREIRO, Ano 26 – nº 26, pp. 25-29.

2 comentários:

Pérola Rara disse...

Paz!!!
Conheço a irmã Alice, excelente artigo, escrito realmente por quem entende. Deus a abençoe.

Pérola Rara disse...

Paz!!!
Conheço a irmã Alice, excelente artigo, escrito realmente por quem entende. Deus a abençoe.