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sábado, 18 de junho de 2016

O massacre de Orlando iniciou uma guerra contra os cristãos

Por David A. French
Tradução: Charles Souza

De alguma maneira, o massacre realizado por Omar Mateen colocou os cristãos americanos na defensiva

Nós estamos olhando completamente através de um espelho[1]. Um muçulmano entrou em uma boate gay e matou a tiros 49 homens e mulheres, sendo a maioria de gays e lésbicas. Ele parou no meio do massacre para ligar para a polícia e para uma emissora de TV local, deixando claro que ele queria que o mundo todo tomasse conhecimento de sua promessa de lealdade ao ISIS. Não há nada a esconder aqui. Isso é um evidente caso de jihadismo na prática- claro e simples.

Mas de alguma forma, o caso de Omar Mateen colocou os cristãos americanos na defensiva.

No último dia 14, Anderson Cooper, apresentador da CNN, questionou a advogada geral da Flórida, Palm Bondi, acusando-a de hipocrisia por expressar apoio aos mortos da Flórida. Por que ela seria hipócrita? Por causa de sua oposição ao casamento homossexual.

No último dia 15, o jornal The New York Times fez um editorial sobre as ameaças nos EUA contra a sua comunidade LGBT e declarou que eles eram vítimas de uma sociedade onde o ódio tem raízes profundas. A "sociedade" que o jornal The New York Times condenou não era o Estado Islâmico - era a América, e especificamente os estados do Texas e da Carolina do Norte, que estão lutando contra um decreto federal que exige que homens devam ter acesso ao banheiro feminino. O The New York Times não consegue condenar Abu Bakr al-Baghdadi, mas ataca com facilidade o governador da Carolina do Norte, Pat McCrory, e o governador do Texas, Greg Abbot.


Até mesmo cristãos bem-intencionados estão adotando uma linha progressista e secular. Em uma publicação de Facebook que se tornou viral, a escritora popular e palestrante, Jen Hatmaker, declarou: "Nós não podemos, com alguma integridade, honrar na morte aqueles que falhamos em honrar na vida." Ela então continua propondo uma típica abordagem de esquerda, argumentando que o sentimento anti-LGBT dos cristãos pavimentou uma longa estrada para crimes de ódio.

Os princípios, tais como eles existem, parecem ser assim: Se você é contra o casamento homossexual ou o uso de banheiros de acordo com a identidade de gênero, então você não só é capaz de lamentar legitimamente a perda de vidas de gays, como é também parcialmente responsável pelo massacre em Orlando. Os esforços por parte dos conservadores para proteger a liberdade religiosa e a liberdade de associação a qualquer grupo de infrações externas irão matar pessoas. Esqueça que todas as atuais evidências do caso apontam para motivações tiradas de uma conhecida e largamente compartilhada interpretação da lei Shariah, mas alguma forma esses malditos batistas são os culpados.

Isto significa que Barack Obama teria sido cúmplice no massacre caso tivesse acontecido quatro anos atrás, antes de ele alterar publicamente seu posicionamento sobre o casamento homossexual? E quanto a Hillary Clinton? Ela era contra o casamento gay até 2013. Seu marido assinou a lei de defesa do casamento tradicional. O atirador de Orlando morou por vários anos sob administrações democratas que se opunham ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eu acho que Bill Clinton também tem um pouco de culpa.

Eu não tenho palavras para expressar meu desdém por essa visão. Algum ser humano sensato acredita que se um cristão tivesse começado este ataque, esses mesmos progressistas não culpariam suas crenças religiosas? A suposta comunidade baseada na realidade ignora a atual evidência do ataque - o próprio Mateen declara em alto e bom senso suas crenças jihadistas - em uma tentativa de envergonhar um grupo cujo principal pecado é se opor à revolução sexual.

Mas há algo ainda mais sinistro acontecendo do que as diversas variedades de intolerância anticristã, com a ajuda de crentes ingênuos como Hatmaker: Os americanos estão sendo, propositalmente e intencionalmente, distraídos dos nossos verdadeiros inimigos. De novo, a ameaça jihadista está sendo minimizada.

Alguns à esquerda simplesmente recusam a acreditar que terroristas dizem sobre eles mesmos e sobre suas intenções. Osama Bin Landen não poderia ter atacado o World Trade Center a parte de um desejo de se vingar contra os cristãos do século XV pela conquista da Espanha muçulmana. Líderes iranianos não querem realmente dizer "morte aos Estados Unidos”. As nações muçulmanas que aplicam pena de morte ou outras punições criminais extremamente rigorosas e severas para a homossexualidade não expressam verdadeiramente a vontade do seu povo.

O resultado é a intolerância ocorrendo de duas maneiras - um irracional ódio a cristãos americanos e uma compreensiva negação da agência moral muçulmana. Os cristãos americanos são responsáveis por coisas que eles não creem. Muçulmanos que seguem a Shariah, entretanto, não são responsáveis pelas coisas que eles acreditam.

E não cometa erros, dizem os muçulmanos que não se importam nem um pouco com o que o The New York Times, Anderson Cooper, Jen Hatmaker ou qualquer outro apologista contrário ao cristianismo tem a dizer. Para eles, tirar uma vida americana é tão bom quanto tirar qualquer outra. Eles atacarão novamente, talvez em alguma outra boate gay, ou em uma confraternização na empresa durante o Natal, ou em uma cafeteria, ou em um evento esportivo, ou uma igreja. E quando eles atacarem, certamente haverá alguns americanos que justificarão essas ações com a intenção de culpar outros americanos no lugar.

David A. French é advogado formado pela Harvard University, major aposentado do exército americano e membro da Igreja Presbiteriana, além de colunista da National Review. Atualmente é presidente da Foundation for Individual Rights in Education. Ainda em 2014 escreveu um livro sobre a ascensão do Estado Islâmico: The Rise of ISIS: A Threat We Can’t Ignore. Artigo publicado originalmente na National Review. (leia neste link).




[1] Referência ao último filme da saga Alice Through the Looking Glass. No Brasil o título do filme é Alice Através do Espelho.

Um comentário:

Pr. Genivaldo Tavares de Melo disse...

Farei compartilhamento na minha página no facebook, penso que o alcance será maior.