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terça-feira, 19 de julho de 2016

A questão principal é uma só: o precedente do sectarismo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O cancelamento lamentável da palestra do Augustus Nicodemus na CPAD MegaStore não é um evento qualquer, mas, infelizmente, abre um precedente muito perigoso para as Assembleias de Deus. A nossa denominação nunca agiu institucionalmente como “carrasco teológico” e, felizmente, não é raro ver assembleianos consumindo material produzido fora dos arraiais da instituição – e isso desde há muito tempo. É claro que sempre houve embates nas Assembleias de Deus, mas parte importante dessas disputadas giravam em torno de questões eclesiásticas ou administrativas, e, vejam bem, raramente doutrinárias.

Discutir a doutrina natal e a própria identidade da denominação é sempre necessário, mas caminhar com intolerância diante de teologias antagônicas não só nos sufoca como despreza o Espírito Santo, isso mesmo, Aquele que “sopra onde quer”. Todo crente que trata questões secundárias como verdades de vida e morte acaba, infelizmente, desprezando uma das maiores belezas da fé cristã: a unidade em Cristo Jesus na diversidade da multiforme graça de Deus.

Nas décadas passadas a CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) publicou livros de dois presbiterianos brasileiros famosos: Boanerges Ribeiro (1919-2003) e Caio Fábio. O primeiro foi presidente do Supremo Concílio e o segundo, na época, era um pastor calvinista popular entre os evangélicos. Não se tem notícia que a publicação de dois ícones (daquele período) da Igreja Presbiteriana tenha causado qualquer celeuma na liderança assembleiana. No Mensageiro da Paz, em edições antigas, é possível achar até artigos do Guilhermino Cunha, que foi, também, presidente do Supremo Concílio. Vale lembrar que o jornal Mensageiro da Paz é a voz oficial da denominação.

Eu sempre apreciei esse intercâmbio assembleiano por meio da Casa Publicadora. Eu nunca achei ruim ler um artigo do Russell Shedd na revista Obreiro, por exemplo, e nem me espantava com os textos do Ronaldo Lidório na extinta revista Resposta Fiel. E, assim, poderia citar inúmeros outros exemplos. Todos esses textos me edificaram e nem por isso virei adepto da TULIP. Nenhum desses autores tratavam de questões soteriológicas, por exemplo. Ao contrário, o meu contato com esses autores em revistas oficiais da minha denominação me afastou do sectarismo que atingia alguns dos meus pares na congregação que eu frequentava.

“Ah, mas os calvinistas não dão espaço nos púlpitos aos pentecostais e nem chamam teólogos das Assembleias de Deus a escrever em seus periódicos”, reclamam nas redes sociais (ou antissociais) os apoiadores do boicote. É verdade que há muito sectarismo no meio reformado brasileiro, mas devemos pagar um erro com uma dose dupla? Creio que não. Alguém tem que ter a humildade de quebrar o ciclo que sectarismo. “Ah, mas eles devem ceder”, retrucam os novos sectaristas pentecostais. E eu respondo com uma paráfrase de Jesus: “Se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil”. E não pense que inexistem calvinistas preocupados com o sectarismo, ora, bastar ler o maravilhoso livro “Carta a um Jovem Calvinista” (Editora Monergismo) do James K. A. Smith e constatar.

Em Cristo, vamos lutar pelo Reino de Deus e não pelos reinos humanos.




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PS: O meu amigo Alcino Júnior, reconhecidamente um arminiano, escreveu um texto interessante que levanta outras questões práticas sobre o boicote. Veja aqui.
PS: Para ler mais sobre o episódio de hoje visite o meu perfil no Facebook aqui:

12 comentários:

surpreendidopelaalegria disse...

Realmente, trata-se de um episódio vergonhoso; não pelo sectarismo ou pela intolerância, mas, sobretudo pela falta de respeito. Explico. Se a instituição adota uma doutrina vinculada a uma determinada corrente teológica, é normal que, para manter a disciplina e coerência, não abra espaço para outra teologia contrária. Por exemplo, não concordo com o calvinismo (tenho escrito artigos contra) e menos ainda com o cessacionismo defendido pelo Nicodemus e teria dificuldades em permitir, indiscriminadamente, que seus defensores, explanassem suas ideias livremente, exceto se conhecesse o preletor o suficiente para saber que o mesmo teria a sabedoria de distinguir os pontos controversos para não os abordar.

No caso da CPAD, o grande problema foi não fazer uma análise criteriosa, antecipadamente ao convite. É de extrema descortesia fazer um convite e, sem nenhuma justificativa plausível, desconvidar. O fato em si revela um grande problema na AD: sua inconsistência teológica. Infelizmente a AD é um caldeirão de ensinos, muitas vezes antagônicos. É uma verdadeira sopa teológica! Ora é pelagiana, ora é semi-pelagiana, ora é neopentecostal, ora é calvinista, ora é arminiana, ora é....sei lá mais o quê! E toda essa bagunça está na cabeça dos seus pastores, líderes, pregadores e, inevitavelmente, nos fiéis. Ou seja, antes de falar do cisco no olho do outro, é melhor tirar a viga do próprio olho. Portanto, podemos dizer, sem sombra de dúvida, que quem convidou, está tão confuso quanto à sua própria igreja, daí a razão do papelão!

Acho que a CPAD deveria emitir uma nota pública de desculpas...pela sua total falta de coerência teológica e, de preferência, por alguém que tenha um mínimo domínio da língua portuguesa!

Reginaldo Oliveira disse...

Paz a todos.

A CPAD publicou o livro R.C Sproul (Defenda sua fé) que é calvinista ferrenho!!

Esses pastores sectaristas precisam aprender o que Cristianismo

Reginaldo Oliveira disse...

A cpad tem outras obras calvinistas recentes como as de RC Sproul

livro: defenda sua fé!

Daniel dliver disse...

Que bom que gostou das Cartas de James Smith. A Vida Nova vai lançar em breve seu urgente You Are What You Love.

João Paulo Mendes disse...

Prezado Gutierres, permita-me, uma vez mais, comentar sobre o episódio.

Inicialmente, é interessante ver (na verdade é trágico), que dentre os que defendem a palestra do Rev. Nicodemus, há um que ao divulgar o evento colocou sua própria foto e do Rev. como "expoentes" do Evangelho, mas em nada comentou ou divulgou outra palestra ocorrida dias antes com um grande pastor e pensador pentecostal. Soa... meio estranho.

Sobre o caso em si, volto a frisar que há publicações do Rev. extremamente agressivas ao pentecostalismo, reduzindo-o a um mal terrível e pernicioso ao Evangelho.

Se houve falta de critério ao fazer o convite, a correção foi oportuna, penso eu.

Abraço.

João Paulo

Anônimo disse...

Sou Cristã da Assembleia de Deus e sou muito abençoada com os livros e ministraçoes do Pr Augustus e de outros que seguem a mesma linha de pensamento. Lamentável o ocorrido. Torcer para q velhas açõe (como punir ou proibir a leitura disso ou daquilo) não volte né...

Pr Alessandro Garcia disse...

ACESSE O LINK E VEJA A INCOERÊNCIA DE QUE HOJE ESTÁ FALANDO
www.altairgermano.net/2009/06/nova-parceria-o-tempora-o-mores.html?m=1

Marcelo Jhonatan disse...

O que a assembleia de Deus precisa é de uma confissão de fé urgente. E também decidir logo se vai ficar com o pentecostalismo clássico ou se vai migrar para o neopentecostalismo herege, digo isso porque a maioria das AD que conheço são neopentecostais, pregam a teologia da prosperidade e todas aquelas heresias. E as que não são neo, não pregam contra e nem fazem campanha de boicote como essas a pastores e igrejas AD que possuem visão celular, sincretismo, pragmatismo, confissão positiva e simonia. É triste, não tenho muitas esperanças quanto a Assembleia de Deus, acho que ela vai afundar de vez no neopentecostalismo.

Unknown disse...

Triste e decepcionada com este episódio lamentável,sou assembleiana e essas coisas me entristecem muito.

Eva Fonseca disse...

Triste e decepcionada com este episódio lamentável,sou assembleiana e essas coisas me entristecem muito.

Luciano Barbosa disse...

Eu vejo à situação da AD do mesmo modo que você, à verdade é que pouco à pouco os pastores das igrejas pentecostais, estão pregando sermões iguais os neopentecostais, à tônica é à mesma, e em nem uma delas há um sermão bíblico e expositivo, como si ver nos púlpitos reformados

CLAUDIO ARAUJO disse...

Eles são contradizentes, uma vez que publicam livros de calvinistas, como Jhon MacArthur por exemplo, mas não pode ouvi-los. Ler pode?