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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Acordai, assembleianos, acordai!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Amo a minha denominação. Agradeço a Deus pelo privilégio de conhecer a Cristo numa comunidade pentecostal, especialmente assembleiana. Quantas coisas eu aprendi e ainda aprendo nessa igreja! Incontáveis lições em experiências imensuráveis, ricos diálogos e amizades impactantes... Todavia, não sou cego. Algumas coisas me deixam terrivelmente preocupado. Quer um exemplo? Infelizmente, o ensino não é valorizado nas Assembleias de Deus e vejo nessa deficiência o nosso maior mal.

Por que sou tão taxativo? Ora, observe a qualidade da pregação dos pastores que ocupam cargos e ministérios estratégicos na denominação. Sobra pregação água com açúcar. Não estou falando de pobres coitados nas favelas ou no sertão. Estou falando, isso sim, de pastores famosos em grandes catedrais. Há poucos dias eu ouvia um programa de rádio oficial da denominação e desliguei sem demora, isso porque a mensagem era vazia e recheada de clichês. O apresentador é alguém até de alguma proeminência na denominação, mas não deveria ser ele um exemplo?

Quantas vezes os assembleianos dividem pregadores de ensinadores? Ora, o bom pregador precisa ser um bom expositor, um bom mestre. Onde a Bíblia ensina que a pregação faz oposição à doutrina? Quando o pregador não ensina a Bíblia é desonrada.

Sempre existiram ótimos mestres nas Assembleias de Deus. Certa vez tive o privilégio de conversar longamente com o pastor Antonio Gilberto e fiquei impressionado sobre como ele domina a Bíblia nos originais, isso porque aquele senhor octogenário faz exegese de cabeça sem consultar qualquer léxico. Joanyr de Oliveira, um pastor da AD de Brasília já falecido, era poeta profissional e foi elogiado pelos literatos Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade. E o Gordon Chown? Um anglicano e britânico radicado no Brasil que adotou a Assembleia de Deus como sua igreja. Chown é o grande responsável pela tradução e edição das maiores obras de exegese publicadas em português... Ou seja, não nos falta bons teólogos. O problema é que a denominação não valoriza seus mestres. Há ótimos teólogos em nosso meio, sem dúvida, mas quem se lembra deles? Pense em um congresso de jovens ou em uma festividade de senhoras: qual é o tipo de "pregador" que a sua comunidade convida? Quando muito, os nossos mestres só são lembrados na Escola Dominical. Isso não é valorizar o ensino, isso é espreitar o ensino.

Alguns pontos para meditação:

1.      Quantos obreiros são frequentadores da Escola Dominical em sua igreja? A minoria, não é? Ora, se o obreiro não frequenta um culto dedicado ao ensino mais detalhado, logo qual é o incentivo que a comunidade terá? Qual é o objeto ministerial de um obreiro que não quer aprender as Escrituras? Não é difícil achar igrejas onde nem o próprio pastor é um aluno frequente da Escola Dominical.

2.      Quantos obreiros e membros estudam teologia com vontade de aprender? Não falo daqueles que só querem um diploma. Falo de gente com sede de conhecimento. É fácil achar gente assim no nosso meio e que esteja em posição de liderança?

3.      O que o seu pastor mais ganha no aniversário? Sapatos, gravatas, camisas, ternos etc.? E Bíblias de Estudo? E livros? E bolsas de estudo?

4.      A igreja já patrocinou algum jovem vocacionado para mantê-lo em um seminário?

5.      Essa falsa dicotomia entre pregação e ensino precisa acabar dentro da igreja. Ora, toda pregação dentro do templo precisa visar ensino. Uma pregação sem conteúdo doutrinário é perda de tempo. Onde a Bíblia ensina que o pregador pode divorciar-se da consistência?

6.      O presbítero e pastor da sua igreja são “aptos para ensinar”? Ou são meramente administradores?

7.      Quais os referenciais dos jovens pregadores da nossa AD? São homens sérios e comprometidos com a Palavra ou são aqueles animadores de auditório de Camboriú?

8.      E o mais grave: os obreiros de sua congregação realmente conhecem a doutrina exposta pela Assembleia de Deus? Ou eles acham ainda que doutrina assembleiana são usos e costumes? Eles conhecem os pontos do Cremos? Já ouviram falar que a AD, pela CGADB, está elaborando uma Declaração de Fé?


Depois não adianta reclamar que os assembleianos estejam buscando outras fontes denominacionais para se alimentar. 

14 comentários:

Márcio Cruz disse...

Caro Gutierres!

Essa mangueira está grande por demais. Cortá-la requer tempo e manuseio correto. Uma árvore frondosa produz mais e melhor (é bíblico!).
Infelizmente, o aferidor do IBGE atesta que está tudo bem, às mil e uma maravilhas. Templos cheios, dois, três cultos no Domingo... Isso basta. Pra quê mexer em time que está ganhando?
Innfelizmente, é a realidade. Pode ser mudada? Sim!
Mas... Quem está apto a isso?

Paz do Senhor, irmão!

Edinei Siqueira disse...

Parece até que foi eu que escrevi este artigo. Falou tudo que eu penso.

Edinei

jls disse...

Muito bom este comentário. Sim, com o tempo muitas coisas deixam a desejar, mas devemos ter o desejo de corrigir, melhorar e administrar. Acho que ter reuniões frequentes abordando os assuntos veiculado na matéria tenho certeza que muitas idéias virão ajudar.

Cristian Farley disse...

Não sou da Assembléia, mas concordo com você. Nem mesmo pastores estão frequentando escola dominical. E fazem diferença entre pregação e ensino. Fico chateado com isso. Creio que isso está dentro de outras igrejas que não são assembléia.

César Lopes disse...

Paz do Senhor, querido Gutierres.
Parabéns pela lucidez do texto. Concordo com você.
De fato, fico muito feliz em saber que pensas assim.

Que todos possam acordar e ter a lucidez que você tem.
Me senti até emocionado quando concluí a leitura.

Termino com a frase do pastor presbiteriano Elias Dantas:

"A falta de tato é uma coisa horrível".

César.

Ricardo Villas Bôas disse...

Nobre Gutierres!
Paz do Senhor

Tudo bem, comungamos dos mesmos ideias e fico feliz em saber que não sou o único nessa geração a não se conformar com essa postura adotada pela maioria, desejo que te vá bem e parabéns por suas considerações, muito preciso e objetivo

Fieis e cordiais considerações fraternas no nome bondoso de Jesus Cristo

Ricardo Villas Bôas

Vitor Germano Oliveira disse...

Sou da mesma opinião.
Se a nova geração de líderes assembleianos não acordar vamos acabar perdendo muitos jovens vocacionados, muitos irmãos em Cristo inteligentes e exigentes quanto a pregação da Palavra para Igrejas Reformadas.
isso será uma lástima, pois a fé pentecostal precisa, mais do que nunca de gente disposta a defendê-la com propriedade e se as mellhores pessoas para isso são justamente os jovens estudados e interessados da nossa Igreja e estes que estamos perdendo como ficará a próxima geração de pentecostais? Mais ignorantes e alienados até que se exingua?Queira Deus que não.
Vitor Germano - Evangelista da Assembleia de Deus em Cahoeira do Sul- RS
vitorgermano.blogspot.com.br

Diego Oliveira Santana disse...

Infelizmente, nós, assembleianos, fazemos essa divisão entre pregação e ensino. Tenho bebido de muitas outras fontes, pois, como você bem disse, carecemos de incentivo ao ensino. Não sei na comunidade em que congrega, mas eu já passei por "maus lençóis" por ensinar o que a bíblia diz.

RENATO B disse...

Irmão Gutierres, a paz do Senhor. O que eu vou falar acredito que a maioria dos irmãos já sabem, mas vamos lá. No ano de 2006 com os comentários do Pr. Ezequias Soares nós da AD tivemos um segundo trimestre inteiro falando sobre heresias e modismos, os irmãos certamente se lembram. Na aula de número 10 falou-se sobre a tal teologia da prosperidade e na 11 falou-se sobre triunfalismo. As aulas foram bem claras sobre o posicionamento dos ensinadores da nossa igreja, ou seja, dos nossos mestres. Acaba-se a ED e a noite nós vamos ao culto adorar ao Senhor,e o que é que nós ouvimos da boca de muitos obreiros? "Eu determino isso, eu profetizo isso, eu declaro isso sobre a tua vida e vou eu liberar a palavra profética na tua vida nesta noite".
Infelizmente o nosso problema como você bem citou no ponto 8, muitas vezes vem de cima, e muitas vezes nós temos a difícil missão de ouvir os obreiros dizerem certas coisas no sábado a noite e no domingo pela manhã ter de dizer aos irmãos, "irmãos, tal doutrina é biblicamente errada". E os irmãos que ensinam sabem que não são todos os obreiros que abaixam a cabeça e dizem arrependidos: "É, verdadeiramente eu estava incorreto nas minhas minhas doutrinas e afirmações"!
Geralmente o que se ouve é: "Deus trabalha como quer, e você não pode colocar Ele numa caixinha ou numa garrafa de um litro e meio"!
Resultado, provavelmente você que ensina o que os mestres da igreja como Antônio Gilberto, Ezequias Soares, Claudionor de Andrade, José Gonçalves, Elinaldo Renovato, Elienai Cabral e outros ensinam será taxado de crente bombeiro ou Pentecostal com defeito de fábrica. Que Deus nos ajude.

Anônimo disse...

Tem um presbítero na igreja em que congrego aqui em Cuiabá-MT, que dizia publicamente não gostar de EBD e o pastor que dirigia a nossa congregação, chegou a ficar quatro meses (!) sem frequentar a escola bíblica dominical.


Aurélio Adriano

Eliezer Gonçalves disse...

A paz do Senhor Jesus a todos!
Meus irmãos eu estou escrevendo um tcc sobre como está sendo utilizado os dons espirituais na igreja moderna.
Eu peço ajuda de todos no sentido de me enviarem suas opiniões sobre o assunto bem como os que são a favor ou contra o uso dos dons na igreja hoje.
Gostaria de fazer um trabalho bastante produtivo e para isso preciso da ajuda de todos.
Estou procurando também bibliografias que falam do assunto e se alguém conhecer alguma por gentileza me ajude nessa procura pois tem sido difícil achar autores que falam especificamente do uso na modernidade pois conceitos já tem bastante.

Meu email é:

eliezerdjesus@yahoo.com.br
Vou estar acompanhando esse blog abençoado tambem ok.

Eliezer Gonçalves disse...

Meus irmãos peço ajuda de todos nesse blog abençoado. Estou escrevendo um tcc sobre como tem sido utilizado os dons na igreja de hoje e gostaria da opinião dos amados sobre essa questão.
Estou procurando bibliografia desse assunto e quem souber de algum autor ficaria feliz se me indicasse para que eu pudesse acrescentar no tcc.
O objetivo não é explicar o que são dons ok e sim escrever qual o valor que eles tem na igreja moderna.
Quem acha que dons não existe mais gostaria de receber seus argumentos pois será muito valido na discussão.
Peço ajuda do autor do blog nesse sentido.
Meu endereço é:

eliezerdjesus@yahoo.com.br

Aguardo resposta dos irmãos
A paz a todos participantes.

Antonio Wilmar Antunes disse...

Parabens pelo excelente texto,

Unknown disse...

Sábias palavras. Exatamente, esse é um dos grandes problemas de nossa denominação.