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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Escatologia e Utopia

Por Gutierres Fernandes Siqueira 

É inegável o aspecto escatológico da salvação nas Escrituras. Todavia, a vassala das ciências humanas - mais conhecida como “teologia moderna” - tem horror a esse fato porque parece expressar a alienação mais baixa ou o escapismo mais rasteiro. Ironicamente ou não, os ideólogos, ou melhor, os teólogos modernos preferem a ilusão da utopia - que é o ópio da elite cultural. E existiria alienação maior do que a ilusão utópica?

Não há como negar que o Evangelho nos apresenta uma mensagem para além desta vida diante de um mundo que é visto ora como efêmero (1 João 2.17) ora como vazio (Eclesiastes 1.2). Mas vejam, ao descrever a condição humana como vanitas vanitatum- vaidade das vaidades- a sabedoria bíblica não nos convida à conformidade. A mensagem evangélica é grandiosa, bela e harmônica e, diante de tantas qualidades absolutas, não é possível viver na obstinação humana com tranquilidade. O Evangelho não produz indiferença, mas transformação constante, mesmo no homem que o ignora. O Evangelho e sua esperança escatológica – expressa na frase “ora vem, Senhor Jesus” – dá real impulso ao homem porque o alimenta não apenas com um sonho, mas com a fé. O irlandês C. S. Lewis certa vez escreveu: “os cristãos que mais fizeram pelo mundo presente foram exatamente aqueles que mais pensavam no que há de porvir”.

E a utopia? Ela não se sustenta diante dos medos reais. Nem diante do medo de perder uma grana. A utopia vende sonhos mediante determinada circunstância. Nada que dependa de um quadro específico pode proporcionar esperança duradoura. Portanto, o cristão que troca a esperança da escatologia cristã pela utopia política e ideológica é mais infeliz que Esaú, filho do patriarca Isaque, que vendeu sua primogenitura diante de um prato de lentilhas.

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